Capítulo 82 - Ala do Rei (parte 2)

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O único pensamento que permeava constantemente na cabeça de Dante era: Por que Ian, uma coisinha tão sedenta, o recusaria depois de ter provado da sua luxuria? O que mudou?

As irises opacas de Ian não saíam da mente de Dante. Ele parecia tão sem vida e as únicas vezes em que pareciam ter alguma cor eram quando demonstrava o tamanho do seu ódio.

Sentado em seu quarto, olhando a noite sem luar e sem estrelas, Dante bebeu mais do seu uísque. Pela primeira vez em sua vida sentia que suas ações não pareciam tão corretas. Se ele estava em vantagem em todas as suas jogadas, por que parecia que estava perdendo? Desde o início, quando conheceu Ivy, o seu objetivo era cortejá-la corretamente e conquistá-la de forma verdadeira. Como poderia imaginar que as coisas fossem terminar assim?

Não estava nos seus planos Ian ser a verdadeira identidade de Ivy, e quando ele descobriu já era muito tarde. Já tinha feito coisas que jamais faria com a pessoa que governaria ao seu lado. Se ele soubesse desde o início não teria insistido naquela relação, não teria se afundando tanto em um sentimento que não podia aceitar.

E por não ter percebido antes, estava obcecado por um homem, estava casado com ele. Era um erro que estava disposto a aceitar, a abraçar. Mas era tarde demais, tinha perdido o seu afeto. Não foi só o brilho no olhar de Ian que Dante viu morrer no dia que o Inferno foi atacado, foi também o sentimento que o rapaz tinha por ele. Podia sentir as emoções escapando.

Dante não sabia como resolver isso e nem sabia se tinha solução. Ele nunca teve que rever as suas ações. Como faria isso se estava sempre correto? E por que a primeira vez e que algo saía fora do planejado tinha que ser logo com ele?

Remoer sobre as consequências não adiantava nada. Por isso Dante manteve-se longe, apenas observando o seu coelhinho definhar, sem poder fazer nada. Sabia que precisava esperar a poeira baixar para fazer o próximo movimento. Eventualmente a raiva de Ian iria diminuir e aí seria a hora de agir.

Encheu mais um corpo de uísque e bebeu de uma vez. A ardência que costumava cortar a sua garganta tinha desaparecido, estava chegando ao estado de dormência o qual tanto buscava. Era apenas o álcool que o impedia de sentir, parar de sentir o impedia de invadir o quarto de Ian, e tomá-lo em seus braços.

— Então é aqui que você está se escondendo? — perguntou aquela voz familiar que Dante queria tanto ouvir.

"Ótimo, agora estou alucinando."

Dante ignorou a voz e continuou olhando para fora do quarto, lembrando-se do dia em que acendera a fogueira sagrada e como tomou o seu coelhinho em seus braços e em sua boca. Talvez se tivesse admitido naquele momento o que realmente queria, não teriam chegado a tal situação.

— Agora eu me tornei invisível pra você — a voz sussurrou em seu ouvido e o hálito quente roçou em seu pescoço — Vai mesmo fingir que eu não existo?

Surpreso, Dante virou-se para encarar Ian com uma expressão travessa, envolto em seu roupão vermelho.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou encantado com o rubro vívido cor de jambo dos olhos de Ian, tão diferentes da última vez que tinha visto de perto.

— Eu senti a sua falta e implorei para Dolores me deixar vir vê-lo. — disse Ian manhosamente se aninhando no colo de Dante.

— Por quê? — perguntou Dante, confuso. Ele estava ali se martirizando por todas as suas ações, achando que o seu coelhinho nunca mais o perdoaria e agora Ian estava ali em seu colo. Era surreal.

— Eu realmente tenho que ter uma razão para ver o meu marido? — Ian fez um biquinho e o encarou chateado.

— Eu te torturei, te ignorei, te fodi na frente dos meus homens, prendi o seu pau e você ainda me quer mesmo depois de eu ser tão terrível com você? — Normalmente seriam coisas que Dante jamais admitiria em voz alta, mesmo sabendo que causara aquele tormento, sempre dizia a si mesmo que foi necessário. Talvez tenha bebido demais e o álcool desenrolou a sua língua, ou talvez não tenha bebido o suficiente, pois sentia o peso das emoções que Ian despertava nele.

Jogo Perverso: Submissão [Volume 1]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora