Capítulo 55 - 7 Pecados capitais do Xadrez

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Assim como existem os 7 pecados capitais descritos na bíblia, no xadrez também existem as suas próprias heresias. Sem saber como o jogo funcionava e entrando à força na partida, Ian acabou comentando cada uma delas.

O primeiro pecado era o Pensamento, ele estava sempre confuso, limitado e não confiava em si mesmo, causando muitos problemas em suas estratégias. O segundo era o Relaxamento, ele era sempre omisso nos movimentos chaves, lhe faltava sensibilidade à tendência do adversário e ao momento em que ele se encontrava, deixando as suas jogadas desleixadas. O terceiro era o Materialismo, o que o levava a má avaliação da situação e falta de dinamismo, ele esquecia que as pessoas eram plurais e que suas ações podiam significar mais de uma coisa.

Com esses três pecados capitais, podia-se dizer que Ian já tinha se jogado para o fundo do poço, porém ele continuou cavando ainda mais fundo, pois ele também cometeu o quarto pecado, o Egoísmo, que o levava a ter medo e ao mesmo tempo a subestimar o seu adversário levando a cometer ações sem sentido prático. Somando isso ao quinto pecado, o Perfeccionismo, que o levava a ter que resolver as situações sem ter tempo hábil, a imitar as jogadas do adversário e agir de forma esquisita, matando a sua pouca confiança em si.

Depois de tantos pecados cometer o sexto, a Dispersão, já não parecia tão grave, era ela que o levava a não entender o que estava acontecendo no momento, a falta de foco e ao aumento da tensão. E por fim o seu pior pecado e o que ele mais cometeu até então, a Ganância, o que o levava a se apegar ao resultado que queria alcançar, a negligenciar a si mesmo em busca daquela alta expectativa, perdendo assim o senso comum das coisas e a cometer erros fatais.

Foram os sete pecados capitais do xadrez que o levaram até ali.

Ajoelhado no meio da Igreja, o olhar de Ian vagava temoroso entre Dante e Isaac, rodeado por rostos estranhos dos homens do Cemitério de Fogo. Se o julgamento de pessoas estranhas dava calafrios no coelhinho assustado, o seu próprio o fazia tremer da cabeça aos pés.

— Acredito que não se lembre muito sobre a noite passada — começou Dante andando em círculos ao redor de Ian, exatamente como ele tinha feito com Verônica e Francis na noite anterior, só que dessa vez ele era a presa acuada — Mas fizemos um acordo e agora é hora de me entregar a sua parte, é a hora da verdade, cunhadinho.

— E-e-e-e-eu me lembro — Ian estava nervoso, apavorado, angustiado, ele sabia que teria essa conversa com Dante, mas não esperava que fosse em uma situação tão amedrontadora e na frente de tantas pessoas.

— Então me diga cunhadinho, onde minha Rainha está? — perguntou Dante contendo a ansiedade, que estava prestes a explodir — Eu quero a verdade.

— Sua Rainha, digo Ivy foi embora por ciúmes, ela não quer voltar... sabe minha irmã é muito orgulhosa — Ian começou a enrolar na tentativa de acalmar os seus nervos, ele precisava de sua mente clara para colocar o seu plano em prática.

— Eu já estou ciente disso, cunhadinho — o sorrido de Dante estava carregado de perversidade, aquele era o Rei do Inferno que Ian conhecia e não o homem gentil que cuidou dele nos últimos dias. — Não me importa o motivo, nem como ela conseguiu fugir e se esconder de mim por tanto tempo, eu só quero saber onde ela está para trazê-la de volta.

— M-me pro-pro-mente que não vai machucá-la? — choramingou Ian, sua intenção era fingir um pouco e depois contar o que sabia, mas ele nem precisou atuar, o medo era real, as preocupações eram reais.

— Eu nunca faria mal algum para a minha esposa, mesmo que ela tenha tentado me matar e fugindo de mim, o meu voto naquele altar foi verdadeiro — Dante realmente parecia sincero dando uma ponta de esperança para Ian, afinal o voto tinha sido feito a ele, era o seu nome da certidão de casamento.

Jogo Perverso: Submissão [Volume 1]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora