Capítulo 81 - Amador

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A inconstância se tornou algo habitual para Dante. Mas ele não era o único que agia assim em toda essa história. Como se tivesse adquirido esse hábito, Ian agia de forma confusa, ora desejando, ora desinteressado, ora odiando, ora... Não aceitaria isso. Dante não merecia tal sentimento.

Mas só aceitando os fatos poderia encarar a situação com a mente clara. Ian o amava. Por isso errou o tiro, por isso não foi capaz de atirar novamente.

O primeiro amor costuma ser doloroso, são poucos aqueles que são correspondidos e menos ainda que acabam em um relacionamento duradouro. Ian sabia muito bem disso, porém, ele não esperava que a sua própria experiência fosse tão dolorosa.

Dante foi o seu primeiro amor, ele achou que já tinha amado antes, que aquela menina em quem dera o primeiro beijo tinha sido aquela que despertara seu coração para tal sentimento. No entanto agora ele sabia que era só curiosidade e excitação por ter alguém interessado nele. Com todas as pessoas com quem se relacionou sempre foi assim, elas tinham interesse nele e ele simplesmente retribuía, para um órfão que nunca recebeu amor, ter alguém minimamente interessado nele era tudo que ele mais queria.

Porém, aquele sentimento não tinha metade da intensidade do que ele sentia pelo Rei do Inferno, o jeito abrasador que seu corpo era tomado por aquele sentimento era intenso demais!

No início era o mesmo que os outros, curiosidade, desejo, gratidão por ter alguém interessado nele, entretanto no decorrer do tempo o seu coração deturpado começou a ansiar por ele.

Era um sentimento corrompido pelo ódio, Ian odiava Dante tanto quanto o amava e a força que isso tinha sobre ele era avassaladora.

Dante era a primeira pessoa que Ian amava e a primeira que ele odiava. O seu coração que não estava acostumado com tais sentimentos era pequeno demais para comportar as duas coisas. Depois de tudo que havia passado e sabendo que jamais seria livre de verdade dentro daquela relação, a única escolha foi deixar o ódio vencer.

Ian estava desesperado pelo poder, pela riqueza e totalmente cego pela ganância, por isso fez planos tão arriscados na tentativa de conquistar Dante e tudo que ele podia lhe proporcionar, mas até onde isso o levou? Tudo que ele ganhou foi humilhação, agressão e indiferença, ainda sim seu corpo clamava pelo dele e seu coração começou a bater descompassado por ele.

Por um breve período Ian achou que daria tudo certo e ele quis ficar, quis desesperadamente estar do lado dele, agora ele só queria desesperadamente fugir.

"Por que ele tinha que dizer que se encantou com o meu verdadeiro eu?"

Ian se questionava, deitado na cama no quarto escuro e solitário. Sem poder fazer a única coisa que lhe tirava daquela realidade absurda, só lhe restava pensar até que seu pau fosse finalmente libertado.

Já tinham se passado dias desde que vira Dante pela última vez, e como de costume, Ian estava solitário no seu quarto novamente. Odiava aquela situação, mas as palavras de Dante ainda lhe agarravam com garras venenosas. Ele sabia que era mentira, que ele só queria dominá-lo e mesmo assim ao lembrar-se de quando ele disse "...foi o seu eu verdadeiro que me atraiu.", seu coração ficava inquieto.

Durante anos Ian evitou a verdade como um campo minado, aquele garotinho frágil que se destacava entre os outros meninos, não por ser bonito ou genial, que de fato era, mas por ser diferente. Por ser quem era.

Ser um garoto afeminado e cheio de graça não era bem recebido por ninguém no orfanato. Fossem os adultos ou as crianças, todos implicavam e rejeitavam o seu jeito de ser. Até que o próprio Ian se rejeitou também. Passou a imitar os outros meninos e se misturar. A implicância foi diminuindo, mas a rejeição sempre esteve lá.

Jogo Perverso: Submissão [Volume 1]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora