Capítulo 78 - Lance de espera

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Humilhação.

Era o que Ian sentia com a joia pendurada em sua virilha. Era bonita e brilhante, não lhe dava nenhum tipo de desconforto físico, e mesmo assim parecia esmagar o seu psicológico.

Quando Dante o tocava, Ian se sentia invadido, usado, e totalmente humilhado. Costumava apreciar esses sentimentos. Não mais. Todas as vezes que se entregou pra Dante foi porque quis. Ele era completamente consumido por aquele desejo irracional e gostava disso. Agora estava tomado pelo ódio. Se tivesse alguma forma de lutar contra aquela prisão, o faria. Não teria permitido Dante dominá-lo daquela forma se pudesse evitar.

A sede de vingança tirava o gosto agridoce da obsessão de Dante. Quando o Rei do Inferno mostrava o seu domínio sobre sua propriedade, era tão degradante, que costumava fazer o pau de Ian vibrar. Pertencer a um homem como ele costumava ser uma honra. Mas o rancor era amargo, apagando completamente o doce da equação.

Já estava há tempo demais naquele quarto. Ian sentia-se sufocado, precisava fugir daquelas paredes e tijolos, precisava de ar puro, do céu sob sua cabeça e do vento em sua pele. Queria esquecer que um dia se permitiu pertencer a alguém tão mesquinho quanto Dante. Faria de tudo para alcançar sua liberdade.

Com o pau preso daquela forma não tinha muito que pudesse fazer. Nessas horas em que os sentimentos eram dolorosos demais para serem enfrentados, Ian costumava se entregar o prazer. Assim podia apagar suar dores por alguns instantes, até que a exaustão o levasse para a terra dos seus pesadelos, onde seria dominado por seus temores. Só que não podia fazer isso com o cinto de castidade.

A verdade era que Ian não sabia exatamente como a jaula funcionava. Até então nem sabia que existia uma coisa assim para homens. O único tipo de cinto de castidade que ouviu falar era aquele, cujo soldados da idade média colocavam em suas esposas e filhas antes de irem à guerra, a fim de garantir a fidelidade ou castidade. Ainda assim nem sabia se era real ou algo inventado. Então não queria arriscar qualquer tipo de estímulo. E se recebesse algum tipo de choque quando tentasse alguma coisa? Ou agulhas perfurassem o seu membro? Além do mais a joia não parecia ter espaço para suportar seu pau ereto, então nada adiantaria se estimular por trás, não conseguiria gozar com suas bolas presas daquela forma.

Só lhe restava esperar.

Talvez quando Dante voltasse da guerra iminente seu pau fosse libertado. Com certeza ele o desejava. Era questão de tempo. Dante logo voltaria ao seu quarto, ardendo em desejo e arrancando lhe as roupas, e, provavelmente, a jaula.

Esperar não diminuía a raiva de Ian, muito pelo contrário. Ter a única maneira que tinha para escapar da sua realidade infernal retirada dessa forma, apenas alimentava seu ódio.

— Espero que ele morra! — gritou irritado — Se ele morrer eu não serei apenas livre, também serei herdeiro do Inferno!

Ian sempre ouvia o pessoal do orfanato dizer que a palavra tem poder. Nunca acreditou muito nisso, até então. Assim que proferiu seu desejo em voz alta ouviu os tiros. Jogou-se embaixo da cama, cobrindo os ouvidos com força. O som era similar ao de filmes de guerra, onde não havia pausa entre um tiro e outro, apenas uma sequência de pequenas explosões até as munições acabarem. Pensou ter ouvido o sibilar de uma bomba como nos efeitos sonoros, mas a explosão subsequente não veio. Sua mente estava perturbada o suficiente para imaginar coisas.

As mãos de Ian tremiam e suavam a cada tiro, mesmo sabendo que estava protegido, e que era quase impossível o Paraíso invadir a mansão. O medo o dominou. Não o medo por si e sim por ele. Não deveria sentir-se assim. O odiava, queria que ele sofresse, que morresse. Ainda assim, seu coração o traia. E lado a lado com o ódio tinha um outro sentimento, o qual ele ainda não estava preparado para aceitar.

Jogo Perverso: Submissão [Volume 1]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora