Capítulo 89.1 - Lembrança ou a alucinação?

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Em um momento Dante estava admirando o sorriso cativante, que admirava os atores no palco. No outro, Dante estava de volta naquele momento em que Ian invadiu o seu quarto e derrubou todas as suas defesas. Sem pensar nas consequências beijou-lhe os lábios e desistiu de lutar contra si mesmo.

— Então é aqui que você está se escondendo? — perguntou aquela voz familiar que Dante queria tanto ouvir.

"Ótimo, agora estou alucinando."

Dante ignorou a voz e continuou olhando para fora do quarto, lembrando-se do dia em que acendera a fogueira sagrada e como tomou o seu coelhinho em seus braços e em sua boca. Talvez se tivesse admitido naquele momento o que realmente queria, não teriam chegado a tal situação.

— Agora eu me tornei invisível pra você — a voz sussurrou em seu ouvido e o hálito quente roçou em seu pescoço — Vai mesmo fingir que eu não existo?

Surpreso, Dante virou-se para encarar Ian com uma expressão travessa, envolto em seu roupão vermelho.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou encantado com o rubro vívido cor de jambo dos olhos de Ian, tão diferentes da última vez que tinha visto de perto.

— Eu senti a sua falta e implorei para Dolores me deixar vir vê-lo. — disse Ian manhosamente se aninhando no colo de Dante.

— Por quê? — perguntou Dante, confuso. Ele estava ali se martirizando por todas as suas ações, achando que o seu coelhinho nunca mais o perdoaria e agora Ian estava ali em seu colo. Era surreal.

— Eu realmente tenho que ter uma razão para ver o meu marido? — Ian fez um biquinho e o encarou chateado.

— Eu te torturei, te ignorei, te fodi na frente dos meus homens, prendi o seu pau e você ainda me quer mesmo depois de eu ser tão terrível com você? — Normalmente seriam coisas que Dante jamais admitiria em voz alta, mesmo sabendo que causara aquele tormento, sempre dizia a si mesmo que foi necessário. Talvez tenha bebido demais e o álcool desenrolou a sua língua, ou talvez não tenha bebido o suficiente, pois sentia o peso das emoções que Ian despertava nele.

— Então você tem consciência do Inferno que me fez passar, mas sabe de uma coisa? Eu te enganei, ambos erramos — disse Ian dando de ombros.

— Tem certeza de que é isso que você quer? Eu não sou gentil, eu não sou doce, você viu do que eu sou capaz. — Dante estava sendo sincero pela primeira vez, talvez por causa do álcool ou por causa da culpa que começou a lhe corroer. Ele não sabia ao certo o motivo, mas deixou que as palavras fluíssem.

— E você viu que eu aguento. — Ian passou o dedo indicador no lábio de Dante enquanto sorria sedutoramente.

— Eu estou bêbado vai ser... pior. — Dante encarou os lábios de Ian que pareciam chamar pelos dele. Ele lembrava-se do gosto do beijo de Ivy, tinha sabor intenso de desejo e Dante se perguntava se seria o mesmo dessa vez. Não só porque estaria ciente de que estava beijando um homem, mas também porque talvez Ian não o quisesse como antes.

— E eu tenho certeza de que cada centímetro da minha pele, cada fibra do meu corpo quer experimentar o seu pior. Por isso me dê, me mostre o seu pior, Dante.

Dante sentiu o peso daquelas palavras por todo o corpo, sentia o mesmo, cada pedaço dele desejava Ian intensamente.

— Você é o meu fim, garoto. — suspirou.

Pela primeira vez, Dante tomou os lábios úmidos de Ian, por mais que se negasse a aceitar aquilo que crescia nele estava cada vez mais intenso, e ao sentir o sabor que tanto se recusou apenas aumentou a sua fome, fortaleceu a sua sede e acentuou o seu desejo.

Jogo Perverso: Submissão [Volume 1]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora