Aposta

1.4K 154 468
                                        

O alerta de recolhimento disparou cinco minutos mais cedo que o normal, devido aos recentes assassinatos, tudo estava mais perigoso. O zelador colocou os fones de ouvido, impulsionou o carrinho de lixo para levar até o lado de fora, cantarolando com um palitinho na boca.

Jihyo estava fora da cama, se espreitando atrás de grandes estátuas de gesso. Ela deu uma última olhada à fotografia do seu antigo amor, segurando a imagem amassada entre seus dedos trêmulos. O som do relógio no hall da escadaria principal era diabólico.

— Eles vão pagar por tudo, Jiwoo, eu prometo. — Beijou a foto, deixando a impressão do batom. Ao tentar colocá-la no bolso, derrubou sem querer um pequeno frasco de remédios.

O estrondo foi alto, e as cápsulas multicoloridas se dispersaram pelo piso. Jihyo, visivelmente alarmada, olhou para os lados antes de se agachar, suas mãos tremendo incontrolavelmente enquanto tentava reunir os itens com desespero. Por um instante fugaz, sentiu a presença de passos sutis atrás de si.

Ela ficou completamente rígida naquele instante. Foi algo estranho, pois ao tentar captar o som, os passos pararam, como se fossem apenas um produto de sua cabeça.

Inalou com dificuldade, sua respiração denunciava seu estado. Deixou as pílulas para trás e disparou em busca de um novo local para se esconder. Apoiou a mão na empunhadura da faca de cozinha que estava oculta em sua saia xadrez, pronta para se defender de qualquer ameaça.

Um par de calçados pretos bem cuidados se posicionou em frente ao recipiente de remédio que estava espalhado no chão. Em sua mão direita, um calibre com supressor.

Escondida perto de um extintor de incêndio, Jihyo observava atentamente o elevador do dormitório masculino. Depois de monitorar os dois alvos por um período, ela concluiu que seria mais fácil entrar no dormitório de Taehyung primeiro. Isso porque Jungkook tinha uma ala muito limitada só para ele, e era difícil conseguir informações de seu paradeiro.

Durante mais de três dias, seguiu Jungkook e notou que ele tinha um padrão de vida bem definido, mas após o horário de recolhimento, ninguém sabia o que ele fazia; em algumas noites, ele estava no cassino, enquanto em outras, ficava em seu edifício privado ou se trancava na sala da elite para resolver pendências. Por incrível que pareça, existem vários estudantes que pedem preços exorbitantes para compartilhar dados sobre onde encontrar o alfa em comunidades online para admiradoras apaixonadas. Jihyo conseguiu essas informações em fóruns da escola, em uma comunidade onde falavam apenas de Jungkook, usando um pseudônimo para não ser descoberta por ele ou alguém próximo dele.

Com toda a energia, ela se levantou, pronta para se dirigir ao elevador. A poucos passos de alcançá-lo, um golpe forte de metal atingiu sua nuca, fazendo com que sua visão se apagasse por instantes, e ela caiu pesadamente. A faca que estava presa à sua saia foi arremessada para longe, e a dor que sentiu era alucinante. Desesperada, se esforçou para rastejar até a lâmina, mas não conseguiu, pois mãos cobertas por luvas pretas seguraram sua perna e, com um único gesto, a quebraram.

Jihyo soltou um grito ensurdecedor.

[...]

Do outro lado, ainda no dormitório, Taehyung colocou a máscara do coelho sorridente no rosto, impaciente com a demora da garota. Ele planejou tudo para ser perfeito, colocou propositalmente a ideia de fazer justiça com as próprias mãos na cabeça vulnerável dela, como entregar uma fantasia de lobo para o pobre cordeiro.

Taehyung já havia analisado os passos de Jihyo, que provavelmente o atacaria primeiro por considerar isso mais fácil; ele até deixou a porta aberta para quando ela chegasse. Então, ele a atacaria de forma traiçoeira e a torturaria até que não restasse mais nada. Tinha em mente o horário previsto para o evento, mas Jihyo não chegou a tempo ou resolveu não comparecer.

CopybunnyOnde histórias criam vida. Descubra agora