"A entrega não é apenas um gesto de corpo, mas uma rendição profunda da alma, onde o desejo se transforma em necessidade e a confiança se torna a única moeda que importa."
-Lobomalebem
Maraisa
O silêncio que se seguiu parecia eterno. Meu peito subia e descia rapidamente, e as palavras que eu acabara de dizer ainda ecoavam no ar. Marília se levantou da poltrona, os movimentos controlados, quase felinos. Havia uma tensão no ambiente que eu não conseguia decifrar, mas algo em seu olhar havia mudado.
Ela caminhou em minha direção, os braços cruzados, e parou diante de mim. Seus olhos me prenderam como correntes, e por um momento, pensei que ela podia ouvir meu coração batendo tão alto.
— Se quer mesmo isso, Maraisa, não pode haver dúvidas. Não há espaço para inseguranças ou meias verdades aqui.
Engoli em seco, mas não desviei o olhar. Meu corpo inteiro tremia, mas eu sabia que não era de medo.
— Eu sei o que quero, Marília. Quero vocês.
Foi a única coisa que consegui dizer, mas parecia o suficiente. Ela sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo calculado e devastador. Ao seu lado, Luísa me observava com a mesma intensidade, mas havia algo mais: uma suavidade em sua postura que contrastava com a firmeza de Marília.
Marília se inclinou ligeiramente, ficando na altura dos meus olhos. — Então você precisa entender o que está pedindo.
— Estou ouvindo. — Minha voz soou mais firme do que eu esperava.
Luísa finalmente se levantou e deu a volta no sofá, posicionando-se atrás de mim. Senti suas mãos pousarem em meus ombros, leves como uma carícia, mas havia um peso implícito naquele toque. Meu corpo reagiu de imediato, um calor subindo pela espinha.
— Submissão, Maraisa, não é apenas um jogo — começou Luísa, sua voz baixa e envolvente ao pé do meu ouvido. — É confiança absoluta, entrega total. Você nos dá o controle, e, em troca, garantimos que você será cuidada como merece.
Marília continuou, sua voz cortante como uma lâmina. — Não se trata apenas de prazer ou desejo. Trata-se de pertencer. Se você é nossa, então é exclusivamente nossa. Sem espaço para dúvidas, sem resistência.
Meu coração disparou. As palavras delas eram como um feitiço, e eu sabia que estava me rendendo, mesmo antes de verbalizar. Elas falavam com uma clareza e certeza que eu não sabia que precisava até aquele momento.
— E você, Maraisa? — Marília perguntou, inclinando a cabeça. — Está preparada para ser apenas nossa? Para confiar em nós completamente?
Eu não hesitei. — Sim.
Luísa apertou levemente meus ombros, e pude sentir seu sorriso antes mesmo de vê-lo. — Boa garota.
O calor subiu ao meu rosto, mas eu não tive tempo de processar antes que Marília se aproximasse ainda mais. Ela se abaixou, ficando quase ajoelhada à minha frente, e segurou meu queixo delicadamente, mas com firmeza suficiente para me impedir de desviar o olhar.
— A partir de agora, você é nossa, Maraisa. Nada do que você foi antes importa. Você pertence a nós, e cuidaremos de você, mas isso significa que você também terá que confiar em nós sem reservas.
Minha respiração estava pesada, mas eu balancei a cabeça em concordância. A intensidade no olhar de Marília era quase esmagadora, mas havia algo reconfortante ali também.
— Mas eu preciso ouvir você dizer isso — Marília continuou, sua voz quase um sussurro. — Diga que é nossa, que confia em nós.
Eu engoli em seco, tentando encontrar minha voz. — Eu... eu sou de vocês. Confio em vocês.
As palavras saíram mais suaves do que eu esperava, mas o impacto foi imediato. O sorriso que surgiu nos lábios de Marília era como um raio de sol após uma tempestade, e senti as mãos de Luísa apertarem meus ombros novamente, desta vez com mais força.
— Isso é tudo o que precisávamos ouvir — disse Luísa, sua voz carregada de satisfação.
Houve um momento de silêncio, mas não era mais o mesmo silêncio tenso de antes. Era algo mais profundo, mais carregado de significado. Eu podia sentir a mudança no ambiente, como se um contrato invisível tivesse acabado de ser firmado.
Marília levantou-se, ajeitando o cabelo com um gesto casual, mas seu olhar ainda estava cravado em mim. — A partir de hoje, Maraisa, você é nossa. Completamente. Isso significa que cuidaremos de você, guiaremos você, mas também significa que você precisará se entregar de verdade.
Luísa deu a volta novamente, posicionando-se ao lado de Marília, e juntas, elas pareciam uma força imbatível. — E não se preocupe — acrescentou Luísa, com um sorriso suave. — Nós sempre saberemos o que é melhor para você.
Meu coração ainda disparava, mas, pela primeira vez, não havia medo. Apenas uma certeza silenciosa de que, de alguma forma, eu estava exatamente onde deveria estar.
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𝓒𝓸𝓷𝓽𝓻𝓪 𝓟𝓸𝓷𝓽𝓸 ❦
FanfictionAs gravações de "melhor sozinha" trouxeram a tona tudo que Luisa e Marilia sentiam uma pela outra: Tesao, fogo e a paixão latente entre tanto ambas eram dominadoras natas em todos os aspectos de suas vidas principalmente entre quatro paredes. Elas s...
