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Sentir é Obedecer?


Maraisa




O vapor do banheiro ainda grudava na minha pele quando voltei pro quarto.
Tinha tomado banho antes de entrar com Luísa. Agora era a segunda vez. E mesmo assim, ainda sentia a noite anterior escorrendo por dentro.

Eu não sabia ao certo que tipo de mulher era...e sempre me questionei a esse respeito, de fato as vezes eu me esquecia de quem eu era...do que eu gostava...do que eu poderia fazer...

Sempre me achei forte. Independente. Líder da minha própria história.

Mas ali... com elas... tudo isso parecia tremer...os muros que eu tinha colocado foram embora e deixaram espaço vago para que elas entrassem.

O pior — ou o melhor — é que eu gostava da sensação.

Gostava de obedecer...

De ser tocada com intenção...ou as vezes sem intenção só que com elas eu entendo que tudo tem intenção...tudo tem um por que, o que geralmente resulta em mim mole na cama...não que eu esteja reclamando disso.

De me calar pra escutar uma ordem.

E isso me assustava.

A toalha pendurada no corpo não me protegia do olhar delas. Nunca protege...elas gostam que eu saiba disso...uma parte de mim gosta disso.

Luísa estava sentada na poltrona perto da janela, com aquele jeito que faz tudo parecer um jogo de xadrez — onde ela sempre pensa três passos à frente. Marília estava no centro da cama, com o cabelo bagunçado, uma camiseta larga que com certeza não era uma peça nova, e aquele olhar preguiçoso que parece leve... mas nunca é.

Elas não falavam nada. Me deixavam com o silêncio.

E eu odiava o silêncio.
Porque no silêncio, eu me ouvia demais.

— Vem aqui — disse Marília, finalmente, com a voz firme. Não alta. Só firme.
Não era uma pergunta.
Não era um convite.

Foi nesse momento que meu peito apertou — e não de medo, mas de uma ansiedade estranha.
Algo entre excitação e resistência.

Por que eu obedeci tão rápido?
Por que meus pés se moveram antes da cabeça pensar?

Cheguei perto da cama, parada, esperando que ela me dissesse o que queria.
Mas Marília não disse nada. Só abriu os braços, vagarosa.

— Senta no meu colo.

De novo, não era uma pergunta.

E eu fui.
Com o coração batendo rápido, com o corpo tenso, com a mente gritando "isso não é você".
Mas era.

Me sentei, de lado, com as pernas dobradas, as mãos sem saber onde pousar.
Ela me envolveu com um braço na cintura e com a outra mão começou a alisar meu cabelo, devagar.

O carinho me desmontava mais do que qualquer toque da noite passada.

Luísa olhava.
Sentada, com a perna cruzada, me estudando.
Como se visse em mim algo que nem eu enxergava ainda.

— Você se sente fraca por isso? — ela perguntou.

— Por isso o quê?

— Por obedecer.

Engoli em seco.

Marília não disse nada, mas seus dedos subiram pelo meu pescoço, fazendo carinho na base da nuca.

Era suave... mas deixava claro que, se ela quisesse, podia apertar. Podia dominar de novo.
E eu... deixaria.

— Eu... eu nunca fui assim com ninguém — confessei. A voz saiu embargada. Baixa.

— Não é sobre ser assim com qualquer um — disse Luísa. — É sobre o que a gente desperta em você.
— E o que você desperta na gente.

— Parece errado — eu disse.

— É errado querer ser tocada com verdade? — Marília rebateu, finalmente falando.

Eu fechei os olhos.
Não era errado. Era só... desconhecido.

— Vocês não tão com medo de eu me apegar demais? — perguntei, com a voz quase falhando.

Luísa se levantou e veio até nós.
Ela se agachou na minha frente, entre as minhas pernas, com o rosto perto do meu.

— A gente tá contando com isso.

As palavras entraram direto em algum lugar entre meu estômago e meu peito.
Eu queria fugir... mas queria mais ainda ficar.

Marília passou o braço por cima da minha barriga, apertando de leve.

— Você não precisa decidir tudo agora, pequena. Mas a gente quer que você entenda uma coisa: aqui, você pode se soltar. Pode sentir. Pode ser leve. E se quiser, pode ser nossa.

Eu tremi.
Porque "ser nossa" era muito mais do que um jogo.

Era pertença. Era vínculo.

Fechei os olhos de novo, respirando fundo.
E me permiti... encostar.
Deixar meu corpo pesar no dela.
Deixar a cabeça repousar no ombro de Marília.
Deixar Luísa segurar minha mão.

Nenhuma palavra foi dita nos minutos seguintes.
Mas foi naquele silêncio que eu entendi:

Não era sobre controle. Era sobre entrega.
E pela primeira vez...
Eu queria ser dominada...e eu sentia que tinha que ser por elas.

𝓒𝓸𝓷𝓽𝓻𝓪   𝓟𝓸𝓷𝓽𝓸  ❦Onde histórias criam vida. Descubra agora