Maraisa
Marília levantou-se lentamente, sua postura firme, mas elegante, como se calculasse cada movimento. Ela caminhou ao redor do quarto, deixando seus dedos deslizarem pelas paredes e pelos objetos expostos, como se estivesse apreciando uma obra de arte particular. O som de seus saltos contra o chão de madeira ecoava suavemente, preenchendo o silêncio carregado que se instalara no ambiente.
— A dor e o prazer — começou ela, sua voz baixa, mas carregada de intensidade — são dois lados da mesma moeda. Não existe um sem o outro. Para entender um, você precisa sentir o outro. E é isso que vamos ensinar a você.
Minha respiração acelerou, meu peito subindo e descendo enquanto eu tentava processar suas palavras. A promessa implícita no tom dela fazia minha pele se arrepiar, e o calor do ambiente parecia sufocante. Senti o olhar de Luísa fixo em mim, como se pudesse ver através de cada camada de hesitação que eu ainda carregava.
Ela deu alguns passos em minha direção, posicionando-se ao meu lado, tão perto que o perfume suave que exalava parecia envolver-me. Seus dedos deslizaram levemente pelo meu braço, enviando uma onda de sensações que deixaram minha pele em chamas.
— Está nervosa, querida? — Luísa perguntou, sua voz um sussurro quente em meu ouvido.
Eu não conseguia responder. Meu corpo inteiro parecia em alerta, cada nervo desperto, cada pensamento embaraçado. Eu sabia que havia algo inevitável no que estava para acontecer, mas não conseguia decidir se estava assustada ou ansiosa para experimentar.
Marília parou diante de mim novamente, cruzando os braços e inclinando a cabeça como se estivesse avaliando minha reação. — Esse é o momento em que a maioria das pessoas hesita, Maraisa. Quando elas percebem que, para atravessar essa porta, precisam deixar o medo para trás.
Ela se inclinou levemente, ficando na altura dos meus olhos, e sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo reconfortante e ameaçador. — Mas você não é como a maioria das pessoas, é?
Luísa riu suavemente, movendo-se até ficar atrás de mim. Suas mãos pousaram em meus ombros com uma leveza calculada, mas havia algo no toque dela que me fazia sentir presa, como se as correntes invisíveis que elas haviam mencionado antes já estivessem se fechando ao meu redor.
— Vamos começar devagar — disse Luísa, sua voz carregada de promessas. — Você precisa entender que dor e prazer não são inimigos. Eles coexistem. Eles amplificam um ao outro.
Marília moveu-se até uma mesa próxima, pegando algo que não consegui identificar de imediato. Quando ela se virou, percebi que era uma pequena vareta de madeira, polida e elegante, mas com uma ponta de couro. Ela passou os dedos pela superfície do objeto, como se estivesse demonstrando o respeito que tinha por ele.
— Este é um simples crop — explicou Marília, aproximando-se. — Não vamos fazer nada que você não esteja pronta para aceitar. Mas queremos que você sinta, Maraisa. Não apenas com seu corpo, mas com sua mente.
O ar parecia mais denso, quase eletrizado. Minhas mãos se fecharam em punhos ao meu lado, não por resistência, mas por uma necessidade desesperada de controlar a onda de emoções que me atingia. Senti as mãos de Luísa apertarem levemente meus ombros, enquanto sua voz voltava a ecoar ao meu ouvido.
— Verde se estiver bem. Amarelo se precisar que desaceleremos. Vermelho, paramos imediatamente. Essas são suas palavras de segurança. Use-as, porque elas são sagradas aqui.
Marília se posicionou diante de mim, a poucos passos de distância. — Não é sobre dor, Maraisa. É sobre controle. Sobre entrega. Você confia em nós?
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𝓒𝓸𝓷𝓽𝓻𝓪 𝓟𝓸𝓷𝓽𝓸 ❦
Fiksi PenggemarAs gravações de "melhor sozinha" trouxeram a tona tudo que Luisa e Marilia sentiam uma pela outra: Tesao, fogo e a paixão latente entre tanto ambas eram dominadoras natas em todos os aspectos de suas vidas principalmente entre quatro paredes. Elas s...
