POV AGATHA
Abri os olhos contra minha vontade. Estava tão confortável, tão quente. Quente demais. Meus olhos correram pelo quarto mergulhado na penumbra, até o relógio ao lado da cama chamou minha atenção: quase meio-dia. Nunca dormia tanto, especialmente nos últimos dias, em que mal tinha pregado os olhos.
De repente, algo se moveu ao meu lado. Pela primeira vez desde que despertei, percebi Rio dormindo calmamente ao meu lado, seus braços firmemente ao redor do meu tronco, completamente inerte. Sua expressão transbordava tranquilidade, serenidade pura. Mas a calma que eu sentia até então foi substituída por uma euforia abrupta e avassaladora. Meu coração disparou tanto que, por um momento, achei que ele fosse saltar pela minha garganta.
Tentei respirar fundo, mas cada tentativa só piorava a situação. A cada inalada, o perfume dela preenchia meus sentidos, me deixando mais desnorteada, mais vulnerável. Fechei os olhos, como se isso pudesse conter as imagens que me invadiam, cenas da noite passada se desenrolando sem piedade. Tudo o que ela me fez sentir. Tudo o que eu implorei que ela fizesse.
O aperto inconsciente dela em torno do meu corpo no meio do sono só me fazia reviver cada detalhe. As lembranças inundavam minha mente como uma enxurrada impossível de conter. Um arrepio percorreu minha espinha, intenso, quase cruel.
Eu me lembrava do toque dela, firme e ao mesmo tempo delicado, explorando cada parte de mim como se soubesse exatamente o que fazer. Lembrava-me de como minha vontade de gritar crescia a cada investida, enquanto seus olhos intensos me devoravam, me analisavam, como se estivessem me marcando. Ela lia cada movimento meu, guiando-se pela eletricidade palpável que preenchia a varanda.
E então... sua boca. Deus, como ela parecia feita para a minha, em todos os sentidos. Cada beijo, cada movimento era tão exato, tão bom, que me fazia implorar silenciosamente por mais. Eu queria mais dela. Quase viciante demais.
Mordi os lábios, tentando me ancorar na realidade. Mas meu coração, ainda acelerado, traía qualquer tentativa de clareza. Confusa, deixei meus olhos recaírem sobre ela. Seu rosto relaxado estava encostado contra meu tórax, sua respiração calma contrastava com a tempestade dentro de mim. O braço ao meu redor, como se precisasse de mim para existir, era um convite silencioso para eu ficar.
Mas algo naquele momento mexeu ainda mais comigo. Pela primeira vez, a mulher forte e determinada que eu via todos os dias me desafiando nos corredores da editora havia desaparecido. No lugar dela, havia uma garota frágil, vulnerável, que buscava conforto em mim.
Eu precisava sair dali. Precisava, mas não conseguia me mover. Vê-la assim me desarmava, trazendo à tona sentimentos que eu nem sabia que estavam ali, latentes e perigosos. Questionava tudo: desde o momento em que ela me contou que nos casaríamos na frente de toda sua família, até a forma como todos ao nosso redor reagiram – felizes, genuinamente felizes por nós. Pessoas que nunca tinham me visto antes me acolheram como parte da família.
Cada nova experiência com ela parecia desconstruir meu mundo. Cada palavra, cada gesto me fazia sentir como se estivesse perdendo o controle, como se meus planos fossem nada além de fumaça se dissipando no ar.
Tudo nela – e tudo sobre o que estávamos vivendo – parecia desmontar as paredes que eu tinha construído ao meu redor. Cada segundo ao lado dela trazia algo novo, inesperado. Nada seguia os meus planos. E, acima de tudo, ela me fazia sentir. Sentir de um jeito que eu mal sabia como lidar. Os sentimentos dentro de mim brigavam como se estivessem em uma batalha constante, me deixando mais confusa do que eu jamais havia estado na vida.
Com cuidado, comecei a afastar o braço dela de mim. Ela resmungou, o som suave me atingindo como um pequeno soco no peito, mas não abriu os olhos. Esperei, imóvel, por algum movimento, por uma palavra que me parasse, mas ela continuou dormindo.
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A Proposta #AGATHARIO
FanfictionAgatha Harkness é uma poderosa editora de livros em Nova York que corre risco de ser deportada para o Canada, seu país natal. Para poder permanecer em Nova York ela se diz noiva de Rio Vidal, sua assistente. A jovem aceita ajuda-la, mas impõe alguma...
