POV RIO
Viro-me de um lado para o outro no sofá da sala, fecho meus olhos pela milésima vez desde que me deitei, mais de uma hora atrás. A casa estava escura e silenciosa, como a noite merecia que fosse. Diferente de mim, que não conseguia aquietar o coração descompassado em meu peito e as memórias que insistiam em surgir em minha mente.
Agatha
O cheiro dela, o beijo dela, seu corpo, seus cabelos. Tudo voltava com força total, como uma maldita droga da qual eu era a vítima. Abro novamente os olhos, me perguntando: "Será que ela se sentia como eu? Inquieta e sem conseguir dormir?"
Meu corpo fervia de desejo, e cada fibra do meu ser insistia para que eu subisse as escadas em direção a ela. Sua respiração acelerada, seus gemidos, sua entrega me invadia de forma avassaladora.
— Mas que droga! — Sentei-me no sofá, retirando de forma abrupta todas as cobertas que me cobriam. Talvez o frio intenso do Alasca pudesse me acalmar. Tirar ela de mim.
Era amanhã, Rio. Tudo estaria resolvido. Tudo.
E talvez... só um talvez... ela pare de fugir.
E o mundo pare de conspirar contra mim.
E eu possa tomar aquilo que tanto me aflige.
Passei a mão pelo meu rosto e por meus cabelos, tentando acalmar minha mente. Segurei meu rosto entre as mãos e, sem conseguir evitar, desviei meus olhos para a escada vazia. Por um segundo, vislumbrei um sonho em que ela descia os degraus em minha direção, desejando-me perto dela. Dentro dela.
Fechei os olhos com força, e um gemido de frustração escapou. Queria me bater por deixar-me levar por um desejo tão gritante. Eu já não me importava mais com droga nenhuma, nem com o emprego que tinha, ou com quem ela era. Eu só queria aquietar o incômodo que crescia como uma avalanche dentro de mim.
E, sem mais hesitar, levantei.
E, quando dei por mim, já estava no topo da escada, encarando o corredor vazio.
— Merda... — Esbravejei entre dentes. — Que droga...
Dei um passo em direção ao quarto, mas parei. Dei meia-volta e desci dois degraus, mas parei. Estava travando uma batalha sangrenta dentro de mim. O desejo e a razão em conflito, fazendo-me querer dois destinos diferentes que já não me convenciam mais.
Só havia uma coisa que eu queria. E ela estava naquele quarto.
Sem perder mais tempo, guiei-me até a porta proibida, a precursora da minha maldição. E, antes do ato final, parei. Com a mão na maçaneta, respirei fundo, tentando pensar com clareza. Mas não conseguia. Não via nada na minha frente além dela, não sentia nada além de seu beijo queimando meus lábios.
Eu a queria com todo o meu ser e esperava, com todas as minhas esperanças, que ela me quisesse da mesma maneira.
Vencida, girei a maçaneta. Abrindo a porta, finalmente. Entregando-me ao maior de todos os meus devaneios.
Eu já não me importava com as consequências. Eu só via e queria uma coisa naquele momento: Ela.
Dei um passo à frente. O quarto parcialmente escurecido mostrava-me a visão que eu tanto queria.
Agatha estava de pé, rente à porta de vidro da varanda, de costas para mim. As cortinas abertas balançavam levemente com o ar gelado que entrava por uma fresta aberta logo atrás dela. Adentrei o cômodo e fechei a porta atrás de mim com um clique silencioso. Sua cabeça ergueu-se levemente, mas ela não se virou. Sua postura mantinha-se rígida e firme, no mesmo local, seu olhar perdido no horizonte à sua frente.
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A Proposta #AGATHARIO
Fiksi PenggemarAgatha Harkness é uma poderosa editora de livros em Nova York que corre risco de ser deportada para o Canada, seu país natal. Para poder permanecer em Nova York ela se diz noiva de Rio Vidal, sua assistente. A jovem aceita ajuda-la, mas impõe alguma...
