Capítulo 6

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POV RIO

Eufórica

Eu estava eufórica. Meu coração parecia pular no peito enquanto eu caminhava para fora do bar. Parei, apoiando as mãos na proteção da área externa, respirando fundo inúmeras vezes, tentando me acalmar. Tudo parecia condensado, diferente, irreal. Fechei os olhos, mas a única coisa que via eram os grandes olhos azuis dela.

 Ela.

Rebolando.

Sua respiração entrecortada perto do meu ouvido, sua voz sedutora sussurrada, o olhar hipnotizante. Quem era aquela mulher? E por que ela me afetava tanto? Meu corpo inteiro queimava; nem mesmo o ar gelado e cortante de Sitka conseguia apagar aquilo. Apagar ela.

Um garçom se aproximou, oferecendo um copo de cerveja, e eu o peguei sem nem agradecer, bebendo desesperadamente. Meu corpo estava inquieto, úmido, vibrante. Me forcei a não piscar, focando numa flor que flutuava pelas águas do lago abaixo de mim. No fundo, eu sabia: qualquer coisa que eu quisesse provar com a atitude impensada que tomei havia se voltado contra mim. O feitiço havia se virado contra a feiticeira.

Eu estava ferrada. Precisava ficar o mais longe de Agatha possível. Ela era minha chefe. Tudo aquilo era uma grande mentira. Eu precisava me recompor.

Pense com a cabeça, Rio!

Olhei por cima do ombro quando alguns homens saíram. Eles me encararam, mas eu ignorei. Aproveitei a brecha da porta para espiar o palco vazio e, ao longe, a mesa onde minha família estava sentada. Mas ela não estava lá. Onde ela estava? Para onde teria ido? Eu deveria ir atrás dela?

Respirei fundo, lutando contra a obsessão que crescia na minha mente. Eu estava acostumada com Agatha. Mas a mulher de minutos atrás não era quem eu conhecia.

A mulher que eu conhecia teria me reduzido a cinzas, me humilhado na frente de todos e jamais ousado me tocar. Mas aquela mulher... seja lá quem fosse, apossada do corpo da minha chefe, era despojada, ousada. Ria das minhas piadas, me fazia elogios, era provocadora. Sexy.

Muito sexy.

Perigosa.

Arfei ao lembrar da voz dela, rente ao meu ouvido, soprando de leve, ansiosa enquanto me ameaçava. Eu não podia piscar, ou perderia algo surpreendente.

Surpreendente.

"Você só acha que sabe tudo sobre mim, mas não sabe..."

A frase dela, o olhar dela, voltaram com força total, invadindo minha mente. Aqueles malditos olhos azuis. Tão intensos que me faziam arrepiar mesmo sem estar olhando para eles.

Engoli o resto da cerveja de uma só vez, tentando aplacar o calor que subia pelo meu corpo. No escritório, quando ela lançava aquele olhar pragmático e meticuloso, eu sabia exatamente o que significava. Ela queria algo, e queria com urgência. Era irritante como aquilo a deixava mais bonita.

Mas nunca, em todos os anos trabalhando com ela, eu tinha visto algo parecido com o que vi hoje. Algo que eu tentava, desesperadamente, colocar em palavras.

Que droga, Rio! Você é sem juízo? Totalmente inconsequente! Por que não deixou ela receber a merda da dança em paz? Tinha que intervir? O que foi aquilo?

O que era aquilo?

Eu me perguntava sem parar. Mas todas as respostas que vinham eram inaceitáveis.

– Rio? – Uma voz doce me chamou. Me virei rápido, despertando do meu devaneio, e encontrei Wanda. – Oi.

– Oi – respondi com um sorriso fraco, antes de me virar novamente para encarar o lago.

A Proposta   #AGATHARIOOnde histórias criam vida. Descubra agora