O assalto

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Sn narrando

Eu tava ficando sério com um menino da minha cidade. A gente ultimamente não tava dando muito certo e eu já estava pensando em parar de ficar com ele, mas ele me chamou pra sair em uma noite e isso mudou muita coisa.

A gente estava saindo de um restaurante conversando e tomando um ar juntos. Estávamos subindo em uma rua deserta, tava bem escuro e mal dava pra ver direito. Eu até então, não tinha visto nada e nem ninguém.

Eu escutei o barulho de uma moto e eu olhei pra frente e vi dois caras em uma moto, os dois estavam de capacete. O cara de trás bateu no ombro do cara da frente e o cara da frente começou a desacelerar e colocou a mão no bolso

Puta merda.

A gente tava passando na calçada até que eles pararam do nosso lado e o cara da frente apontou a arma pra gente

– Sem escândalo, passa a porra do celular agora.

Eu comecei a mexer na minha bolsa, eu tava desesperada, eu nunca tinha sido assaltada antes.

– Anda porra.

– E-eu tô procurando, Calma.

O João, do meu lado, não tava fazendo nada, ele tava paralisado, branco, pasmado.

– Cê tá surdo irmão, passa a porra do celular. – O de trás apontou uma arma pro João.

O João me olhou e simplesmente, começou a correr, ele me deixou ali, sozinha.

Filho da puta.

– Caralho. – O cara de trás disse.

Eu respirei fundo, uma mistura de raiva e decepção tomou conta de mim.

– Toma – Entreguei o celular e o cara da frente guardou no bolso.

– Bora.

– Não cara, perai. – eu já ia virar pra ir embora mas um deles me parou. – Ei, menina, volta aqui. – Eu olhei pra ele.

– Pra que?

– Volta. – eu voltei né, vai que eu tomava um tiro

– Aquele cara, é o que seu? – ele questionou.

– Ah, ficante. Pra mim já não é mais.

– Esse cuzão deixou você sozinha, fala sério, cara bundão do caralho. Com todo respeito, eu posso meter a porrada nele?

Me subiu um ódio bem grande e a raiva tomou conta de mim. Eu sorri.

– Moço, claro, mas pelo amor de Deus, não mata não.

Ele virou a moto e foi atrás do João. Eu subi atrás deles e vi o João ainda correndo.

Eles pararam a moto do lado do João e desceram. O cara que tinha falado comigo, ele jogou o João na parede e começou a bate nele. Ele tava batendo nele de uma forma muito agressiva mesmo. Eu corri e quando vi que já tinha sangue eu disse o seguinte

– Moço, tá bom, já chega.

O cara de trás continuou e o que tava na frente se aproximou de mim.

– Você merece bem mais que esse cara, se valoriza garota, você merece alguém que te proteja, não que saia correndo igual esse cuzão. – Ele disse e me entregou o meu celular de volta.

– Passa a porra do celular – O amigo dele pegou o celular do João e deixou ele no chão.

– Aí moço, muito obrigada, você não sabe o quanto esse celular ia fazer falta pra mim.

– Tranquilo.

– Eu posso te recompensar?– Perguntei.

– Que tal seu número?  – Eu sorri.  –  eai?

– Tá com seu celular?

Ele tirou da cintura e colocou no telefone. Eu digitei meu número e devolvi.

– Mais uma coisa, eu posso – Toquei no capacete dele.

– Depende, o que?

Eu levantei um pouco o capacete dele e ele parou minha mão.

– Calma, eu não vou- – Eu travei.

Eu olhei pra boca dele, caralho, que boca beijável.

Eu beijei ele. Porra beijo bom do caralho. Ele apertou minha cintura e me puxou pra perto, porém, nós nos separamos por conta do amigo dele.

– Cara, vão bora, antes que de ruin pra gente.

Eles subiram na moto e foram embora. Eu olhei eles até eles viraram e olhei pro João no chão.

– Você tá maluca de beijar outro cara na minha frente? – ele se levantou um pouco alterado.

– Abaixa o seu tom, acabou tudo tá, da licença.

– Escuta aqui, a gente não vai acabar assim

– Oh que pena,e olha, o beijo dele é muito bom, melhor que o seu.

Eu dei as costas e ele puxou meu braço. Assim que ele me tocou, eu dei um tapa no rosto dele.

– Tira sua mão de mim, nunca mais me toque, me ouviu!?

Eu sai andando e fui embora.

𝓘𝓶𝓪𝓰𝓲𝓷𝓮𝓼~𝓐𝓼𝓱𝓽𝓻𝓪𝔂Onde histórias criam vida. Descubra agora