Capítulo 14- O Lobo & A Corsa.

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  Vou achar esse maldito pisca-pisca.

Vou fazer com que ele engula aquele taco estúpido só pelo desaforo de achar que pode brincar com minha cabeça.
Só porque ele parece um guarda roupas gigante não significa que eu vá ter medo dele. Descobri que quando você sabe usar a cabeça, não importa o tamanho que tenha. Quando você parece inocente, delicada e com um ar amedrontado, ninguém espera que seja atacado até que a lâmina tenha passado sobre sua garganta como um vulto e seu sangue te afogue. Minha arma é meu rosto. E se você for homem, minha arma é meu corpo. A luxúria faz seus olhos caminharem para onde não devia e tira o seu foco do que realmente importa por tempo suficiente para agir com o elemento surpresa. E é ai que a corsa se transforma em lobo. E para minha sorte, esse mascarado é homem e não é diferente de qualquer outro que eu já tenha conhecido. Ele mostrou isso quando arriscou tudo para ficar sobre meu corpo no meio de uma festa. E essa é minha vantagem sobre ele. Ele me subestima. Vê uma garota amedrontada e pequena. Mas ele verá. Ah ele verá sim.

Engancho a pistola travada na parte traseira do cós da calça jeans justa que vesti. Alcanço minha lâmina e guardo na lateral do sutiã e ajeito minha camisa. Me encaro no espelho. Olhos inchados da combinação de falta de sono e muito choro. Cabelos desgrenhados. Estou um caco.
Por um segundo, mesmo que seja depravado, agradeço por estar com minha vida em risco e ter que lidar com um assassino. Se fosse em uma situação normal, uma vida normal, eu estaria muito pior que isto. Teria tempo o suficiente para ruminar as atitudes de Louis e cutucar a ferida deixada durante dias e até meses a fio. Deixaria a tristeza me derrubar e me daria o luxo de viver a verdadeira fossa. Mas agora que tenho outras prioridade, é como se não doesse mais. Como se ser traída não fosse tão preocupante quanto quase ser morta. E não é. Não tenho tempo para sofrer por ele e por isso —somente por isso— sou grata ao meu stalker. Não importa que foi graças a ele que descobri sobre Louis. Aquilo foi pelo joguinho sádico dele, não por bondade.

          Alcanço meu moletom sobre a cama.

Se ele estava a poucos minutos atrás no hotel, ele ainda pode estar lá. Posso entrar, matar e arrumar um lugar para esconder o corpo.

Um trovão ressoa pelo beco entre os prédios. A chuva. Park Doe. As engrenagens na minha cabeça começam a girar.

A chuva torrencial é uma coisa típica de Hunter's Valley e a população está acostumada a se isolar em dias chuvosos. Preferem se encolher em suas lareiras, à ficar espiando pela janela. E a chuva, amolece a terra. Forma perfeita para cavar uma cova rasa. Sem testemunha. Sem rastros . Sem dificuldade para cavar. Sorrio.
      Preciso agir antes que a chuva passe.

Faço um inventário do que vou precisar comprar. Sacos pretos, cordas, braçadeiras de plástico, navalhas, álcool.

Ele vai morrer, mas antes disso, preciso de respostas, não importa como eu as tire dele. Se for para matar mais uma vez, que seja direito para ser a última. Arrancando todo mal pela raíz e impedindo que mais pragas apareçam. Alcanço a chave na cômoda e sigo para porta cobrindo minha cabeça com o capuz do moletom. Preciso passar no HB e pegar a pá que Big Bear usa para retirar as folhas de outono que acumulam na porta dos fundos. Engato a chave na fechadura.
No caminho passo na conveniência da avenida principal e...

—Hannah?— me sobressalto.

   Ela estava parada com uma capa de chuva encharcando o carpete de entrada. Que diabos ela faz aqui? Porra, a arma. Forço um sorriso. O material automaticamente me eletrifica em minhas costas.

— O que faz aqui? Está um gelo lá fora.— dou espaço para ela entrar sentido agora cada sentimentos do cano da pistola sobre a base da minha coluna. Preciso tirar ela daqui.

Candy Ou TravessurasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora