Uma semana depois
Acordei com uma dor insuportável na minha barriga e uma umidade no meio das minhas pernas, puxei as cobertas e havia sangue nos lençóis, um medo de eu estar perdendo meu bebê me fez entrar em um desespero tão grande que tudo que eu sabia fazer era chorar e gritar por ajuda.
- Kyara, acorda - Ouço alguém me balançar - Kyara!
Acordei assustada e a primeira coisa que fiz foi levantar da cama, olhar os lençóis e a minha roupa.
- Amor, o que aconteceu? - Pergunta Gabriel preocupado
- E-eu...
Comecei a chorar e o Gabriel me puxou para um abraço.
- Ei meu anjo, está tudo bem.
- Sonhei que tinha perdido nosso bebê Gabriel, foi horrível.
- Respira meu bem, foi só um sonho.
- Parecia real - Falei me encolhendo nos braços dele - Muito real.
- Só se acalma, não vai acontecer nada com nosso bebê e nem com você.
- Eu te amo.
- Também te amo meu amor - Disse beijando minha cabeça - Não quer tomar um banho pra relaxar um pouco?
- Tá, eu quero.
- Vem comigo, vou até ajudar a relaxar.
Ele me pegou no colo e me levou para o banheiro. Gabriel sabe exatamente o que fazer e onde me tocar para eu poder relaxar, transar com ele é algo de outro mundo.
- Está melhor? - Pergunta fazendo carinho nas minhas costas
- Estou.
- Vamos sentar aqui um pouquinho.
Ele sentou na banheira e eu sentei logo depois.
- Kaiky tem médico hoje, vou levar ele mas não queria te deixar sozinha.
- Não se preocupa, vou ficar bem.
- Tem certeza amor?
- Sim, tenho certeza.
- Tá, mas vou ficar mais tranquilo depois que eu chegar em casa e ver você, também não quero ficar muito tempo na rua com o Kaiky.
- Ele está bem?
- Ele está reclamando de dor no peito de novo, tenho que resolver isso logo, antes que a dor dele piore.
- PAI - Ouvimos Kaiky gritar e logo algumas batidas na porta
- O que foi filho?
- É... Tem gente aqui em casa.
- Tá, desce que eu já estou indo.
- Tá bom.
- Quem está aqui?
- Não faço a mínima ideia.
Saímos da banheira, nos secamos, nos vestimos e descemos para a sala.
- Como você cresceu Kaiky.
Ouvimos a voz do Lucca e imediatamente Gabriel segurou a minha mão.
- Estou quase chegando na altura do meu pai - Disse Kaiky animado
- Está mesmo, não falta muito para isso acontecer.
Entramos na sala e o tempo todo Gabriel não soltou a minha mão.
- Kaiky, vai terminar de se arrumar.
- Tá bom pai.
Depois que ele saiu, me soltei do Gabriel e sentei no sofá.
- O que você está fazendo aqui Lucca?
- Eu vim alertar vocês sobre o meu filho, nunca tive nada contra você Gabriel, sempre estive presente na sua vida, te ajudei a criar o Kaiky, mas não acho certo o que o Vicente está fazendo.
- Faça algo Lucca, antes que eu faça com as minhas próprias mãos.
- O que você quer Gabriel? Me diz.
- Quero que ele fique longe da Kyara e dos meus filhos, é a única coisa que te peço, mantenha ele longe.
- Farei o possível para ele não chegar mais perto dela e das crianças.
- Obrigado.
Lucca me olhou, sorriu e sentou no outro sofá.
- Eu preciso falar com a Kyara, a sós.
- Não, não Lucca, você não vai ficar sozinho com a Kyara.
- É um assunto particular Gabriel.
- Gabriel - Falei me levantando e segurando a mão dele - Vou ficar bem.
- Tem certeza? - Pergunta sem tirar os olhos do Lucca
- Tenho sim.
- Tudo bem, preciso levar o Kaiky no médico e é só um aviso Lucca, não ouse...
- Ela estará inteira quando você chegar, não se preocupe - Disse Lucca com as mãos levantadas
- Qualquer coisa você me liga - Disse Gabriel me beijando
- Tá bom.
Ele olhou uma última vez para o Lucca e saiu da sala.
- Leandro, esse nome te faz lembrar de algo?
Minhas mãos começaram a tremer, minha respiração ficou pesada e meu coração acelerou.
- É, pessoas que foram vítimas de traumas tem essa reação após ouvir o nome do causador.
- Por que você está fazendo isso comigo?
- Aquele dia na reunião, o desespero nos seus olhos quando você acordou na minha casa e perguntou se ele estava lá, o jeito como você me acalmou durante uma crise de ansiedade. São gestos, são atitudes de pessoas com experiência, eu queria ter certeza antes de agir da minha maneira.
- Do que você está falando? E-eu não consigo entender.
- Te conheço Kyara, eu te conheço desde criança, sei o que acontecia dentro da sua casa e fui eu que te tirei de lá.
Cada palavra que saia da boca dele era como um ferro quente sobre o meu peito, nada daquilo fazia sentido, nada do que ele estava dizendo entrava na minha cabeça e agora tudo não passava de um borrão.
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Acompanhante de Luxo
RomanceKyara sempre foi uma mulher trabalhadora. Desde os 15 anos trabalhando para dar o melhor a si mesma e nunca desistiu mesmo passando por diversas decepções. Após uma crise financeira, a empresa que ela trabalhava é obrigada a demitir mais de 100 func...
