Kyara

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Depois que amamentei meu bebê, troquei a fralda dele e o coloquei sentadinho no chão encima de um tapete com alguns brinquedos.

- Maninho! - Disse Kaiky vindo correndo

- Devagar Kaiky, ele acabou de mamar.

- Aí desculpa maninho.

- Cadê o seu pai?

- Não sei, achei que ele estaria vindo atrás de mim.

- Bom, fica aqui que eu vou ver onde ele está e qualquer coisa você me chama.

- Tá bom.

Fui para a varanda, Gabriel estava sentado em umas das nossas cadeiras e seu olhar estava fixo no chão. Me aproximei devagar e o abracei.

- Oi - Falei beijando o rosto dele

- Oi meu bem.

Ele pegou na minha mão e me puxou para o colo dele.

- Que carinha é essa? Kaiky está bem?

- Sim, está sim.

- O que foi?

- Eu tenho que te contar uma coisa, mas não aqui.

- Tudo bem, vamos entrar.

Entramos e eu fui até a sala, Kaiky e o Valentim estavam quietinhos brincando.

- Filho, eu e a Kyara vamos conversar um pouquinho - Disse Gabriel - Qualquer coisa você me chama

- Tá bom.

Gabriel me pegou pela mão e seguimos para o escritório dele.

- Gabriel, você está me assustando.

- Tem coisas sobre mim que eu não te contei, mas estarei fazendo algo que provavelmente vou acabar me envolvendo diretamente e preciso te contar.

Minhas mãos estavam tremendo e comecei a ficar nervosa.

- Estou ouvindo Gabriel.

- Fui adotado quando eu tinha 5 anos de idade por um casal que não podia ter filhos. Tudo que tenho hoje é uma herança que eles deixaram para mim.

- Você conhece seus pais verdadeiros?

- A minha mãe não, mas meu pai sim. Conheci ele quando tive problemas com a mãe do Kaiky, ele me ajudou a resolver tudo junto com meu irmão.

- Você tem um irmão?

- Tenho, mas ele não sabe sobre mim.

- Você tem contato com eles?

- Eu tentei cortar, mas passado é passado, um dia ele volta e o meu está voltando agora.

As peças talvez estavam começando a se encaixar na minha cabeça. Desde o momento em que nos conhecemos e começamos a conversar sobre nossas vidas, todas as histórias em que o Gabriel contava, Lucca, Diego e Vicente estavam sempre envolvidos.

- Gabriel... Gabriel - Falei me afastando dele - Não, não, não, não!

- Lucca nunca me reconheceu como filho, Vicente não sabe que temos o mesmo sangue e o Diego ajudou a encobrir tudo isso.

- Independente do que você for fazer, não faça mais.

- Vicente está passando por uma situação muito difícil com a Vitória e eu preciso fazer tudo que estiver ao meu alcance antes que seja tarde demais.

- Do que você está falando Gabriel?

- Diversas internações Kyara, perdi as contas de quantas vezes ele foi internado por causa dela. Vitória tentou matar ele de todas as formas possíveis. Vicente teve queimaduras de 3° grau quando foi obrigado a molhar partes do corpo com ácido, ele tem todo aquele jeito explosivo e nervoso pra se proteger de ser machucado outra vez e eu não posso deixar que aconteça de novo.

- Por que você vai ajudar alguém que nunca te reconheceu como filho?

- Porque todas as vezes em que eu precisei, ele sempre esteve lá. Lucca foi e ainda é um pai pra mim mesmo não sendo reconhecido como tal.

Ouvimos uma batida na porta, Gabriel virou para a parede e eu nem me atrevi a virar também.

- Kyara - Disse Kaiky abrindo a porta - O maninho quer você.

- Eu já estou indo meu anjo.

- Tá bom.

Ele fechou a porta e eu soltei o ar que nem percebi que estava segurando.

- Faça o que quiser, mas lembre que você tem dois filhos e uma mulher, volte inteiro para nós.

- Eu irei voltar Kyara, sempre voltarei.

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