Vicente

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1 mês depois

Desde quando meu pai voltou ao comando, os negócios tem ido de vento em polpa, o faturamento aumentou ainda mais e novos projetos estão sendo estudados.

Fui até o escritório do meu pai, bati na porta e esperei que ele dissesse que eu podia entrar.

- Pai, eu trouxe o que o senhor me pediu - Falei entregando a pasta para ele

- Obrigado meu amor, agora eu quero que você vá para casa, já está ficando tarde.

- Não vou deixar o senhor sozinho.

- Ele não vai ficar sozinho - Disse Diego atrás de mim

- Você precisa descansar Vi, vai pra casa.

- Estou bem, tenho algumas coisas para terminar antes de ir embora.

- Desde que horas você está aqui Vicente?

- Eu virei a noite trabalhando, faz uns dois dias que eu não vou pra casa.

- Meu filho, não, não, não, isso é demais. Já te falei que eu não queria que você se sobrecarregasse a toa.

- Eu estou bem pai, não precisa se preocupar.

- Não preciso me preocupar? Vicente! Você está tomando seus medicamentos direitinho?

- Não, estou sem, já tem algumas semanas.

- Diego, por favor, leva o Vicente pra casa. Vou guardar tudo aqui e descer para o salão.

- Não precisa, eu estou bem.

Quando me virei de costas para ele, senti minha cabeça girar e tudo escureceu.

(...)

Acordei em um quarto todo branco, minha cabeça doía e o meu corpo também. Eu estava sozinho e quando pensei em levantar, ouço a voz do Pietro.

- Não ouse, você precisa descansar.

- O que aconteceu? Cadê o meu pai?

- Ele chega daqui a pouco e você desmaiou Vicente, tio Lucca entrou em choque achando que você tinha entrado em coma.

- Em coma? Por que?

- Você dormiu Vicente.

- E daí?

- Três dias seguidos.

- Três dias?

- É, o médico disse que isso aconteceu por conta da sua privação de sono, você disse para o tio Lucca que estava a 2 dias sem dormir, mas você está bem mais Vicente, bem mais que 2 dias.

- Chega Pietro, eu não preciso de mais um sermão.

- Por que você está fazendo isso? Qual o problema?

- Eu não quero falar sobre isso, não agora Pietro.

Ele veio até mim, sentou ao meu lado e segurou a minha mão.

- Isso tem algo a ver com aquela mulher?

- Não, não Pietro, Kyara não tem nada a ver com isso.

- Você deixou de tomar todos os seus medicamentos, não está dormindo, não está comendo direito, não está indo pra casa, o que aconteceu lá? O que tem lá que você não quer entrar?

- Ela apareceu Pietro e eu lembrei de todas as vezes em que fiquei sozinho com ela. Lembrei de todas as vezes em que ela tentou me matar e se eu não dormir, ela não vai tentar nada contra mim.

- Vicente, você precisa contar isso para o seu pai, contar tudo que aconteceu.

- Não! - Falei me afastando dele - Não Pietro, não!

- Tá, está tudo bem Vi, está tudo bem.

Ouvimos alguém bater na porta, me endireitei na cama virando de costas para a porta.

- Oi tio Lucca.

- Oi meu bem, seu pai está te esperando, ele vai te levar lá pra casa.

- Tá bom.

Senti Pietro me dar um beijo e logo a porta sendo fechada. Ouvi meu pai sentar na cadeira e senti ele colocar a mão no meu braço.

- Eu fiquei com tanto medo de te perder, achei que nunca mais iria ver seus olhinhos claros.

- Me desculpa pai.

- Pelo que meu filho?

- Por esconder isso do senhor.

- Esconder o que? As suas noites sem dormir? Por que você não quer ir pra casa?

- Ela estava lá pai, ela tirou meus medicamentos, ela não me deixou dormir e toda vez que eu fechava os meus olhos, parecia que eu estava sendo sufocado.

- Eu sinto muito meu amor, jamais quis que você passasse por isso de novo.

- Eu preciso dormir pai, preciso muito dormir.

- Eu sei meu bem e você pode dormir, vou estar aqui.

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