Kyara

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Gabriel saiu super cedo, antes mesmo do nosso pequeno Valentim acordar. Kaiky estava certo, era um menino, um lindo menino. A cópia exata do Kaiky e com os olhos do Gabriel, meu filho é um anjinho desenhado por Deus.

Terminei de trocar o meu nenê, coloquei ele no bebê conforto e desci para a cozinha. Kaiky já estava comendo.

- Bom dia meu bem.

- Bom dia Kyara, deixa eu ver meu maninho - Disse se levantando

- Calma aí que eu vou colocar ele no carrinho.

Coloquei o Valentim no carrinho e puxei ele para perto do Kaiky.

- Oi meu maninho lindo.

- Desde que horas você está acordado Kaiky?

- Não sei direito, acho que antes das 6 da manhã.

- Por que meu anjo? Aconteceu alguma coisa?

- Não, eu só perdi o sono.

- Você está com os olhos vermelhos, certeza que é sono.

- Eu vou deitar lá no sofá, posso levar o meu maninho?

- Deixa que eu levo ele.

- Tá bom.

Levei o carrinho e deixei ele pertinho do sofá em que o Kaiky iria deitar.

- Qualquer coisa você me chama e não tira ele do carrinho.

- Tá bom.

Voltei para a cozinha e continuei a comer. Minutos depois ouço a voz do Gabriel.

- Oi meu amor.

- Oi pai.

- Como você está meu anjinho?

- Estou bem, mas com muito sono.

- Deita aí pra dormir, onde está a Kyara?

- Na cozinha.

- Outro príncipe do papai.

- Não pai, deixa ele aqui, ele vai dormir comigo.

- Tá, depois que você dormir, eu pego ele.

Gabriel entrou na cozinha, deu a volta na mesa e me abraçou sem dizer uma palavra.

- O que foi?

- Nada - Responde beijando meu rosto - Só senti saudades.

- Eu também senti - Respondi no mesmo tom que ele - Você saiu tão cedo, por que?

- Fui ver o Vicente.

Sem querer bati com a faca na mesa e causou um barulho alto.

- Ei, relaxa.

- O que você foi fazer lá Gabriel? Você me prometeu que ficaria longe daquela família.

- Eu sei amor, eu sei, mas era necessário.

- Necessário Gabriel? Por que você foi lá?

- Eu precisava entregar os documentos e as chaves das três boates que eram minhas, prometi a você que não teria mais nenhum contato com eles, então foi isso que eu fui fazer.

- Aí Gabriel, eu fico tão preocupada quando você faz isso.

- Desculpa meu amor, prometo não te assustar mais.

Ouvimos o chorinho do Valentim, Gabriel foi buscar ele e eu guardei as coisas do café.

- Kaiky dormiu? - Perguntei quando Gabriel voltou

- Sim, ele acordou bem cedo, você não viu?

- Não.

- Ele ainda foi até o nosso quarto me chamar.

- Não vi nada, ando tão cansada que não vejo nem a hora que você vai deitar.

- É, eu percebo.

- Como se vc nunca tivesse cuidado de uma criança pequena né Gabriel?

- Eu sei, desculpa meu amor.

- Tá, agora me dá ele aqui, Valentim já deve estar com fome.

- Eu também estou - Disse Gabriel segurando a alça da minha blusa

- Não se atreva, ainda não chegou a sua hora - Falei pegando meu bebê no colo.

- Que merda!

- Olha essa boca Gabriel.

- Desculpa.

- PAPAI! - Ouvimos Kaiky gritar

Gabriel saiu correndo da cozinha e eu fui atrás devagar. Kaiky estava no chão, branco igual papel.

- O que foi meu filho? O que aconteceu?

- N-não co-consigo re-respirar.

- Está tudo bem meu amor, vamos resolver isso.

Gabriel colocou ele no sofá, saiu correndo da sala e logo voltou com uma pequena caixa.

- Calma filho, vai ficar tudo bem.

Valentim começou a chorar e como eu sei que o Gabriel fica extremamente nervoso, sai da sala para não atrapalha-lo.

- Está tudo bem meu amorzinho - Falei sentando na cadeira.

Ele mamou bastante e acabou dormindo de novo. Logo Gabriel apareceu, sua carinha de preocupação não passava despercebido.

- Ele está bem?

- Vai ficar, agora ele está dormindo.

- Você está preocupado.

- Não sei se são crises de asmas ou sintomas de alguma outra doença e isso está me deixando maluco.

- Leva ele no médico, fazer alguns exames e descobrir o que ele tem, isso não é normal.

- Vou fazer isso amanhã, agora ele precisa descansar.

Me levantei da cadeira e fui até o Gabriel.

- Vai dar tudo certo - Falei colocando a minha mão em seu rosto

- Eu te amo.

- Eu também te amo.

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