𝟑𝟏

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𝐑𝐞𝐧𝐞𝐬𝐦𝐞𝐞

Já haviam se passado dois dias desde que Alec se foi, e a cada hora que se arrastava, eu me sentia mais perdida. A vontade de viver havia desaparecido completamente. Eu larguei a peça e passei a me refugiar na biblioteca, um lugar onde o silêncio podia me envolver, onde eu não precisava encarar ninguém. Quando minha família percebeu que os Volturi haviam partido, parecia que um peso havia sido tirado de seus ombros. Pelo menos para Bella e Edward, parecia um alívio.

Agora, eu estava no meu quarto, sentada em frente à enorme janela, os fones de ouvido no volume máximo, tentando me distrair do vazio que me consumia. O tempo passava devagar, como se o mundo tivesse desacelerado para se alinhar à minha tristeza. Eu queria sair desse torpor, deixar a dor para trás, mas toda vez que tentava fechar os olhos, ele estava lá, me encarando, como uma sombra que não me deixava em paz.

Era como se cada batida do meu coração fosse uma lembrança do que eu havia perdido, e quanto mais eu tentava fugir, mais ele se tornava presente. E eu não sabia como seguir em frente.

Eu fiquei ali, com a cabeça cheia de pensamentos confusos, lutando contra as lembranças que não queriam me abandonar. A dor estava se tornando uma parte tão natural de mim que eu não sabia mais como era estar em paz. Quando a noite caiu, o silêncio tomou conta do meu quarto, e foi nele que encontrei um consolo temporário. Mas logo ele se transformou em mais um lembrete de que a solidão era minha única companhia.

De repente, senti uma presença na porta. Olhei para cima e vi Alice, com seu sorriso suave, entrando devagar, sem pressa de quebrar o momento de silêncio que eu estava tentando manter. Ela sabia como ninguém quando eu precisava de espaço, mas também sabia quando era hora de me resgatar da minha própria tristeza.

- Não está fácil, eu sei - ela disse, sentando-se ao meu lado na cama, sua voz suave e cheia de compreensão. - Mas você não precisa passar por isso sozinha.

Eu não disse nada de imediato. Apenas fechei os olhos, deixando a respiração ficar mais pesada. Alice colocou uma mão sobre a minha, e aquela simples ação foi o suficiente para que uma onda de alívio passasse por mim. Às vezes, o que mais precisamos não é de palavras, mas de presença.

- O Alec... - comecei a dizer, mas a voz falhou no meio da frase. Era como se o nome dele fosse uma faca ainda cravada no meu peito.

Alice permaneceu em silêncio, ouvindo sem pressa de apressar minhas palavras.

- Eu sei que dói. E não estou dizendo que vai passar amanhã ou na próxima semana. Vai levar tempo. Mas você tem uma força que nem mesmo imagina. Não deixe a dor te consumir por completo, Nessie. Eu sei que ele também não gostaria de te ver assim.

Aqueles eram os tipos de palavras que soavam simples, mas que me atravessavam como se fossem as únicas verdades que eu pudesse aceitar naquele momento. Alec... ele se foi. E eu ainda não sabia como viver com isso.

Alice ficou ali comigo por um tempo, silenciosa, apenas me oferecendo sua presença reconfortante. Quando eu finalmente abri os olhos, ela estava me olhando com uma expressão suave, mas firme.

- Sei que está difícil, mas há algo que você precisa entender, Nessie - ela disse, com um tom de voz mais sério, embora ainda cheio de carinho. - O Alec te amava mais do que qualquer coisa. E ele te daria todo o tempo do mundo, se pudesse, para curar seu coração. Mas ele também queria que você vivesse. Que você encontrasse a felicidade, mesmo sem ele ao seu lado.

Eu não consegui falar nada imediatamente. As palavras de Alice pareciam tão distantes da dor que ainda me consumia. A ideia de seguir em frente sem ele parecia absurda, impossível.

- Eu... não sei como fazer isso - finalmente consegui dizer, minha voz trêmula.

Ela apertou minha mão, me dando força sem precisar de mais palavras. Ela sabia, como sempre soubera, que o tempo seria meu único aliado nesse momento. E, com isso, o que mais me restava era me permitir sentir a dor até que ela começasse a diminuir. E talvez, depois de um tempo, eu seria capaz de encontrar um novo caminho.

Alice se levantou, mas antes de sair, ela se virou para mim mais uma vez.

- Se precisar de qualquer coisa, me chame. Você não está sozinha. Nunca estará.

Ela saiu do quarto, deixando-me com meus pensamentos e o som de sua partida ecoando suavemente. Mas, agora, uma parte de mim sabia que, embora a dor fosse avassaladora, eu não estava mais completamente perdida. Eu ainda tinha minha família, eu ainda tinha um futuro, e talvez... um dia, eu encontraria um jeito de seguir em frente.



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𝑬𝒏𝒆𝒎𝒚 𝒍𝒐𝒗𝒆 - 𝑹𝒆𝒏𝒆𝒔𝒍𝒆𝒄Histórias para pegar e não largar. Descubra agora