𝟒𝟗

154 8 0
                                        

𝐉𝐚𝐧𝐞

Eu já havia deixado a casa dos Cullen.

Despedir-me de Alec... foi a parte mais difícil, passamos toda a vida - ou melhor, toda a eternidade - lado a lado. Ele era meu reflexo, meu alicerce. O laço entre nós era algo que tempo nenhum poderia apagar mas ao mesmo tempo, eu sabia que ele estava em boas mãos. Finalmente, ele tinha alguém que o amava do jeito que ele merecia e eu também precisava encontrar o meu lugar.

O rádio estava desligado. Só o som do motor e da estrada preenchiam o silêncio do carro enquanto eu dirigia rumo a Port Angeles. A estrada parecia se estender eternamente diante de mim, como se o mundo estivesse, enfim, me permitindo avançar.

O celular ao lado piscava de tempos em tempos, lembrando das mensagens não respondidas... das ligações ignoradas.

Mas Jade precisava saber: eu não a ignorei por desprezo ou indiferença. Eu a ignorei porque... tinha medo. Medo de sentir, de me perder, de me permitir ser alguém que não fosse definida por poder, dor e obediência.

E agora... eu estava indo até ela. Porque, pela primeira vez, escolher alguém não parecia fraqueza. Parecia liberdade.

Respirei fundo, os dedos apertando o volante com força. A paisagem ao redor começou a mudar, sinal de que Port Angeles estava próxima. As luzes da cidade, ao longe, brilhavam como promessas.

Peguei o celular com a mão livre e, com um toque hesitante, abri as mensagens dela. Li uma por uma. Algumas raivosas. Outras tristes. E no meio delas, uma simples frase que me fez engasgar:

"Você não precisa ser perfeita. Só precisa estar aqui."

Sorri. Pela primeira vez em séculos, um sorriso genuíno, leve.

Estacionei em frente onde ela morava. O coração, se ainda batesse, estaria acelerado. Meus passos até a porta pareciam ecoar mais do que deviam. Toquei a campainha e esperei, com o frio da noite me envolvendo como um abraço hesitante.

A porta se abriu devagar. Jade apareceu do outro lado, surpresa, olhos arregalados, como se não soubesse se gritava ou chorava.

- Jane?

Assenti, nervosa, as mãos frias.

- Eu vim te ver. Eu li tudo... me desculpa. Eu só... - respirei fundo - eu precisei me encontrar antes de te procurar.

Jade não disse nada. Apenas me puxou para um abraço. E eu me deixei levar. Por ela. Pelo momento. Pela chance de finalmente recomeçar.

E ali, nos braços dela, percebi que não era o fim de nada. Era só o começo.

Dentro da casa, Jade ainda parecia atônita com a minha chegada. Seus olhos corriam de mim para a porta, como se tentassem confirmar que eu era real, que aquilo realmente estava acontecendo.

- Jane... você está gelada - disse ela, franzindo a testa. - Vou ligar o aquecedor.

Ela se virou para sair, mas eu segurei sua mão com delicadeza, firme o suficiente para que ela entendesse: espera.

- Jade... tem algo que eu preciso te contar.

Ela parou, lentamente se voltando para mim, os olhos agora mais atentos do que nunca.

- O que foi? - perguntou, a voz suave, mas carregada de preocupação.

Durante todo o caminho, eu havia repetido esse momento na minha cabeça, frase por frase. Mas agora que estava aqui, de frente para ela, tudo parecia sumir. A coragem que achei que tinha, me escapava aos poucos.

𝑬𝒏𝒆𝒎𝒚 𝒍𝒐𝒗𝒆 - 𝑹𝒆𝒏𝒆𝒔𝒍𝒆𝒄Histórias para pegar e não largar. Descubra agora