Capítulo 39

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-«-«- Uma Sombra -»-»-

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A estrada para onde quer que as três crianças Metkayina os levassem não era curta, mas a viagem até lá era tranquila, com o sol se escondendo cada vez mais, colorindo o céu de um laranja quente.

Pandora era cheia de montanhas flutuantes, algumas pairando mais perto da água, outras submersas nela. As crianças seguiram as outras, sob as pedras e através das águas até chegarem à enseada.

As ilhas flutuantes do local diferiam, mas lembravam as Montanhas Aleluia. Elas eram menores e mais horizontais por natureza devido à geologia diferente encontrada nos atóis distantes, mas lembravam de seu lar de qualquer forma.

A menina observou Neteyam ficar tão cativado pela natureza diante deles quanto o resto da família.

— Esta é a Enseada dos Ancestrais. — Tsireya olhou por cima do ombro, observando as reações dos estrangeiros. — Nosso lugar mais sagrado. — Ela falou com orgulho.

A concentração de fluxo do planeta se mostrou mais aparente pela estrutura circular arqueada das pedras que alcançavam o alto no céu, e At'anau se lembrou de sua mãe falando sobre aquelas que eles costumavam ter e que foram destruídas pelo Povo do Céu, antes que ela e seu irmão nascessem.

O crepúsculo caiu, o sol se escondendo cada vez mais perto da lua e lançando seus raios brilhantes sobre a água refletida no céu alaranjado.

— O Eclipse é a melhor hora do dia para estar aqui. — Tsireya disse enquanto as crianças estendiam a mão diante dos olhos.

At'anau tinha dores de cabeça recorrentes, a luz e o excesso de movimento a afogavam em fadiga, mas a visão à sua frente era ótima demais para fechar os olhos.

A menina capturou as últimas cores do sol e as aquecia em seus olhos, sob a visão do menino à sua direita.

Ao'nung observou a pele dela capturar metade das estrelas da galáxia e decorar seu rosto enquanto sua pele se tornava a sombra do céu que se aproximava de cima. A brisa pairando sobre as águas não era a razão dos calafrios que saíam de suas costas.

Ele observou um sorriso quase contente crescer no rosto dela antes que seus olhos se movessem e eles se encontrassem. Apenas por um segundo antes de se desviarem para a natureza além do ombro dele e ao redor do espaço.

A escuridão faz com que a natureza desperte, com suas plantas bioluminescentes iluminando o ambiente ao chegarem ao centro da capa.

Os plânctons na água brilhavam com o movimento das barbatanas do ilu na água, levando-os a traçar as águas azuis com seus esporos.

— É isso. — Tsireya afirmou, fazendo com que os outros olhassem para o que ela estava apontando na água.

Sob o mar havia uma árvore enorme, submersa e brilhando como um farol.

— Esta é a Árvore Espiritual.

As crianças olharam para a árvore brilhante abaixo delas, conectada ao fundo do mar por uma densa rede de raízes, e abandonaram a montaria para mergulhar fundo e dar uma olhada mais de perto.

Era a primeira vez que a menina ficava sob a pressão da água desde o ferimento, mas ela imaginou que conseguiria até que seu corpo lhe dissesse o contrário.

Nadando junto com o resto do grupo, eles se aproximam das imensas folhas emplumadas que Tsireya os levou até lá.

Kiri estava na cauda da garota antes que ela se virasse na frente de uma das folhas e segurasse seu fila na mão. A garota gesticulou para a outra prender sua trança em uma delas e Kiri não perdeu um segundo antes de obedecer.

Through the Valley ¹ | Ao'nungOnde histórias criam vida. Descubra agora