Capítulo 53

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-«-«- Eles Ficam Juntos -»-»-

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At’anau olhou para trás das rochas onde estavam sentados, e observou as figuras no horizonte se aproximando. Ela franziu a testa, colocando o fone no ouvido que estavam em seu colar, mas apenas ouviu o silêncio.

O garoto se levantou do lugar, mas cambaleou — seu corpo não parecia ter conseguido encontrar o equilíbrio ainda. A garota não notou isso enquanto continuava focada no horizonte enquanto o exército dos Skimwing se aproximava da nave-mãe nas águas.

Gritos de guerra encheram o ar quando os guerreiros da tribo Metkayina marcaram presença. Tonowari e os Tsa’hik estavam na linha de frente, assim como o pai das crianças — que estava armado da mesma forma que o inimigo.

Na nave, os humanos observavam a cena com seus equipamentos. Quaritch, ao lado das crianças, tirou o monitor do pescoço de Lo’ak e colocou um fone no ouvido.

Jake, segurando sua arma — diferente das nativas —, olhou através da mira. Tonowari e Ronal esperavam que o homem falasse o que havia visto, enquanto a tripulação assistia nervosa, esperando o momento de ampliar a imagem.

Reconhecendo que estavam com os filhos Sully, os que estavam na nave focaram as armas. Jake ouviu o disparo do coração ao ver seus filhos.

— Eles estão com nossos filhos — disse entre os dentes cerrados. Os dois pais ao lado o escutaram em silêncio. — Sua filha — Tonowari não conseguiu conter o desgosto e rosnou, ofegante, enquanto a mãe grávida arregalava os olhos em desespero. — Tuk, Lo’ak.

— Jake — disse uma voz feminina desconhecida pelo intercomunicador — avise seus amigos para ficarem em silêncio. At’anau, do outro lado da água, ainda estava sentada na pedra onde havia se escondido. A voz era reconhecível, mas não o suficiente para identificar.

— Você quer seus filhos de volta? — ele gritou — Venha sozinho.

At’anau fechou os olhos com força, temendo as palavras que ouvira na nave enquanto o inimigo falava e esperava que ninguém a reconhecesse na troca de olhares.

Ao’nung arregalou os olhos com o impacto das palavras e tentou entender o que era dito pelo fone.

— Você sabe que não pode testar minha determinação — Jake abaixou a arma, com a derrota e a tristeza visíveis no rosto. Pensava nas vezes que sua esposa e sua filha lhe disseram para se preparar para esse dia.

Jake não tinha plano contra aqueles que haviam se preparado para a guerra. Sabia do que eram capazes, por isso não podia declarar guerra sem certeza de vitória. Assim, se culpava por ser tão ingênuo em pensar que tinha mais tempo.

— Eu te acolhi — disse Jake pela comunicação. A voz escurecida pelo intercomunicador soava traída — Você me traiu.

Os membros da família Sully que estavam presos na nave sabiam quem a voz pertencia. Eles sabiam. E quando ela disse:

— Boa lua, pai — empurrou a arma contra a nuca de Lo’ak — Eu não hesitarei em executar seu filho.

Jake respirou pesado, o desespero nos olhos ao apertar o botão e dizer no intercomunicador:

— Só um momento.

A voz de At’anau ecoou nas rochas à medida que os outros gritavam indignados. Ao’nung observava a garota que se levantava em agonia ao ouvir as palavras pelo fone compartilhado.

— At’anau! — o garoto se levantou, confuso com a voz que o direcionava — sente-se — ele seguiu o garoto até que o puxou de volta.

A garota se agachou inconscientemente com o toque quente em seu braço, mas ele não a olhava nos olhos e ela limpava as lágrimas de frustração. Não havia plano. Nenhum que tivesse feito ou que funcionasse.

Through the Valley¹ | Ao'nungOnde histórias criam vida. Descubra agora