Capítulo 62

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Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.

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-«-«- Engasgando com Poeira -»-»-

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Como gêmeos, não havia lembrança de um tempo em que um não estivesse com o outro, preso ao quadril, ou aos tornozelos.

Quando um chorava, o outro também chorava, abatido pela dificuldade que tinham de suportar.

Não havia ocasião em que um tremesse de frio sem esperar que o outro chegasse com cobertores prontos.

Quando um se machucava, o outro beijava a dor até que ela sumisse.

Quando um se metia em apuros, o outro encontrava um jeito de tirá-lo dela.

Quando um se afogava, o outro se tornava o ar em seus pulmões.

Mas daquela vez estava escuro, as águas eram frias e entravam por seus lábios, enchendo sua boca entre os dentes cerrados.

A garota lutou contra a água que procurava caminho até seus pulmões, mas ia ficando exausta.

De olhos fechados, temia a decepção de abri-los e não encontrar o irmão com a mão estendida pronta para puxá-la para fora e envolvê-la num cobertor. Para assumir a culpa, curar suas feridas.

Em vez disso, a garota deixou seu próprio corpo ser submergido nas águas até sentir a presença de Neteyam de novo; ela esperaria. Até que a dor ardente recuasse.

Perguntou-se se ele ficaria desapontado, chateado, ou talvez contente por encontrá-la tão cedo. Porém, ele nem devia estar à sua espera para início de conversa.

Ela devia ter feito mais, devia ter sido só ela.

Ela esperou, suportou a sensação ardente que aumentava no peito enquanto continuava a lutar e a aguardar que a inconsciência a tomasse.

Estava tão escuro, e tão frio, e quando a garota abriu os olhos devagar tudo estava tão quieto.

Seria aquele o fim? A pele da garota estava dormente ao frio, e ainda meio fora de si ela refletiu.

Um passo em direção ao irmão e aos soldados caídos e ela se sentiu mais distante deles a cada segundo. Flutuando entre despertares, At'anau deixou seu corpo ser levado pela corrente — só que ela caiu num abraço caloroso demais para ser de sua mente.

Passou um momento e ela se perguntou se estava atravessando a ponte, mas a sensação remanescente de pura tristeza parecia demasiado real para que seu espírito fosse considerado livre. Aos poucos a garota conseguiu abrir os olhos, sem saber o que esperar, certamente não o rosto do homem estoico que então a puxava. A grande figura, mãos enormes e quentes, envolveram seus braços e o puxaram em direção à menina.

A firmeza morna sobre sua pele era viva demais para ser outra coisa, e o frio da água tocando o mesmo lugar forçou-a a engolir o fato de que ainda continuava viva também.

Água escorreu entre os lábios da garota quando sua boca se abriu diante da cena; seu coração quase parou antes que At'anau visse Ateyo tirar o manto de guelras das costas e colocá-lo sobre ela como se fosse um cobertor.

Rapidamente sua trança prendeu-se ao fila debaixo d'água e em poucos segundos a ardência gelada no peito desvaneceu em pulsações do coração que devolviam sangue à sua cabeça.

Piscando uma, duas, três vezes, a garota finalmente acreditou no que via à sua frente.

Ateyo segurou as mãos da garota que pendiam frouxas ao redor de seus braços antes de ajudá-la a se virar.

Through the Valley¹ | Ao'nungOnde histórias criam vida. Descubra agora