Capítulo 47

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-«-«- oel ngati kameie -»-»-

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Quando a menina retornou, ela teve que descobrir da maneira mais difícil que essa Tsahik também não usava yalnabark.

At'anau sibilou e mordeu os dentes ao sentir a ardência do que quer que a mulher estivesse colocando em suas costas feridas e até riu da dor quando ficou irritada demais para dizer qualquer coisa.

Entre as exclamações de dor, a menina contou sua história conforme as crianças ao redor pediram, e até mesmo as crianças Metkayinas sentaram-se ao redor e ouviram o que a menina contava.

Rotxo fazia a maioria das perguntas, tentando distrair a garota do trabalho que a Tsahik fazia nas costas dela. Os ferimentos abetos doíam menos do que o antisséptico que a mulher passava, e At'anau garantiu que todos soubessem.

A tenda da Tsahik estava aberta e enquanto At'anau contava sua história, ela fez um gesto para seu irmão, que furtivamente apontou para as coisas na bolsa em busca da medicação de folhas de bétula.

Neteyam apontou para diferentes folhinhas secas na sacola e parou ao ver a irmã balançar a cabeça rapidamente. As outras crianças estavam tão absortas na história e nas perguntas que eram feitas que não notaram que o menino estava pegando emprestado os produtos da curandeira.

- Ah, minha irmãzinha. - Neteyam se levantou e estendeu a mão, apertando a da irmã antes de se ajoelhar. - A poderosa guerreira.

- Cale a boca. - A menina arrancou as folhas da mão que ela segurava e as colocou na boca de forma não tão sorrateira.

Os gêmeos sorriram, Ao'nung no meio os observava relembrarem de suas memórias de sua casa na floresta antes que tudo ficasse quieto por um segundo e o som do alarme da vila se espalhasse pelo ar.

As meninas entraram em pânico imediatamente e a Tsahik parou seu trabalho para ver o que estava acontecendo lá fora. Todas as crianças a seguiram para observar.

As pessoas saíram do mar gritando coisas diferentes, mas o ambiente logo pôde ser lido como positivo quando os membros do clã pularam nas águas gritando de alegria.

- Os Tulkuns! - Tsireya trocou um olhar animado com a mãe antes de agarrar Lo'ak pelo pulso e tirá-lo da tenda. Rotxo, Kiri e Tuk logo os seguiram.

Ao'nung e Neteyam esperaram que a Tsahik terminasse seu trabalho com a garota antes de irem sairem com ela também.

Os dois irmãos seguiram o menino mais velho que pulou na água e a menina chamou por seu próprio llu, pois decidiu que deixaria seu Tsurak descansar depois das aventuras de hoje.

A pequena criatura ficou feliz em vê-la e a menina inconscientemente retribuiu esse sentimento.

A adrenalina havia passado, mas ela estava curiosa sobre o que estava acontecendo que fez o clã todo se agitar em animação.

At'anau tinha Neteyam ao seu lado enquanto aceleravam, seguindo Ao'nung debaixo d'água e chegando ao mar cheio de pessoas.

Debaixo d'água, At'anau semicerrou os olhos conforme eles se aproximavam cada vez mais da cena dentro das bordas do recife e seus olhos se arregalaram ao ver os enormes mamíferos dentro da água.

Ela emergiu da superfície e olhou ao redor, Skimwings pousando do alto dentro da água e os enormes Tulkuns levantando suas cabeças para cumprimentar as pessoas.

Os gêmeos observaram o povo Metkayina cantar com os Tulkuns e cumprimentar seus irmãos de espírito que demonstraram sua alegria sem palavras.

Em seus ciclos intermináveis de migração, os Tulkuns retornaram para suas famílias.

Through the Valley¹ | Ao'nungOnde histórias criam vida. Descubra agora