Essa história é uma tradução da obra original do perfil PoppyMesh. Todos os direitos da obra vão para ela.
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-«-«- Realidade-»-»-
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Enquanto os primeiros raios do amanhecer deslizavam sobre os penhascos, pintando o céu em tons suaves de violeta e âmbar, a brisa fresca da manhã carregava o sabor salgado do oceano, fresco e cortante contra sua pele. Ela se mexeu, os olhos se abrindo bruscamente enquanto uma dor surda se instalava em seus membros. Os efeitos da Folha de Navalha haviam amenizado a dor, mas a exaustão e o peso dos últimos dias ainda se agarravam a ela como uma segunda pele.
Ela se sentou, envolvendo os braços em volta de si enquanto as memórias do dia anterior voltavam. O naufrágio.
O fogo. As coisas que eles haviam encontrado— e as coisas que não haviam encontrado. Um nó se formou em seu estômago enquanto ela pensava no que ainda poderia estar escondido sob as ondas, esperando que eles o descobrissem. O navio não era apenas um naufrágio; era um cemitério de segredos, e ela e Ao'nung ainda não haviam terminado com isso.
Um farfalhar suave próximo a fez virar a cabeça. Ao'nung estava na beira do afloramento rochoso, com o olhar fixo no horizonte, onde o oceano encontrava o céu. Sua silhueta era rígida, seus ombros eretos com determinação.
Ele mal havia falado na noite anterior, mas sua presença fora suficiente. Agora, quando ele se virou para ela, seus olhos penetrantes encontraram os dela e, naquele instante, eles entenderam o que precisava ser feito.
— Pronta? — Sua voz era firme, mas havia uma rispidez nela.
Ela assentiu, levantando-se apesar da rigidez nos músculos.
Ao'nung não discutiu. Ele simplesmente lhe entregou um pequeno pedaço de carne seca, que ela aceitou com um aceno agradecido, mastigando lentamente para se acordar. Eles precisavam ser fortes para isso
Enquanto desciam dos penhascos, o ar da manhã estava carregado de um silêncio sinistro. O mundo ainda parecia pesado, como se também estivesse esperando que algo emergisse das profundezas. Quando chegaram à costa, seus ilu já estavam lá, esperando, suas formas elegantes brilhando no amanhecer dourado. Ela passou a mão pela pele macia de sua montaria, sentindo a conexão familiar, a pulsação de algo antigo e sábio sob a ponta dos dedos.
Ela respirou fundo.
— Vamos!
Com um olhar compartilhado, eles mergulharam na água, o mundo ao redor deles se transformando em uma dança de azuis e verdes. O oceano os abraçou, mas não era reconfortante.
Não hoje. Hoje, parecia que estava observando.
O naufrágio pairava à frente, suas bordas irregulares e casco quebrado ainda assustadoramente intactos sob as ondas. A escuridão se enroscava nos espaços que eles ainda não haviam explorado, acenando para eles com uma promessa silenciosa de descoberta e perigo.
Ela apertou a faca com mais força. Eles tinham vindo para encontrar respostas. Mas nas profundezas dos destroços, o que eles descobririam poderia ser algo completamente diferente.
At'anau e Ao'nung deixaram a vila, entrando na água antes que os primeiros raios de luz tocassem o céu. O silêncio entre eles era denso, não desconfortável, mas preenchido com o peso tácito do motivo pelo qual estavam retornando. Nenhum deles havia expressado a decisão em voz alta, mas era compreensível. O naufrágio ainda continha algo: respostas, fantasmas, talvez apenas um eco do que havia sido perdido. At'anau nem tinha certeza se sabia como era o que ela estava procurando. Ela confiava que, assim que visse, saberia. E seria o suficiente.
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Through the Valley¹ | Ao'nung
FanfictionNão há dúvidas de que os laços pessoais entre gêmeos podem ser fortes, mas não há evidências de que esse vínculo seja algo misterioso ou inexplicável. Se ao menos um soubesse a dor que causaria um ao outro quando essa conexão se partisse. Os Na'vi d...
