Capítulo 36 - "E eu, bem gostam de me chamar de Viúva Vermelha..."

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O ar estava frio na capital praiana. Seus dedos estavam quentes e enrolados em luvas de couro preto, seu acessório favorito quando o trabalho exige algo mais braçal. A jaqueta de couro balançava em seus ombros enquanto seguia Carol pelo armazém não tão abandonado. Ficava um pouco afastado da cidade, você percebeu durante a viagem que fizeram, mas era bem pintado e tinha uma fachada de abatedouro do lado de fora. Ao entrar, seus olhos vagaram pelo escuro até finalmente pousar na única luz amarela no meio do espaço, um corpo esguio e magro se encontrava sentado em uma cadeira bem abaixo da lâmpada, um saco de tecido na cabeça, pernas e mãos amarradas. 

Na extremidade, no escuro, sentada com uma revista de caça palavras e uma lanterna, uma cena quase cômica, estava uma bela mulher de pele escura, vestindo um terno de caimento impecável. Valkirye sempre foi atraente e com ternos se tornava perigosa, sua amizade com beneficio começou com uma cena parecida - Deus a livre se sua namorada descobrir seu passado com a criminosa. Ainda bem que você estava muito bem comprometida. 

Sem querer cortar o ar misterioso, quase mortal da sala, você apenas acenou com a cabeça para a mulher, fazendo com que ela saísse do recinto sem questionar. O silencio contribui bastante em momentos suspeitos em armazéns como esse. Ainda mais quando o objetivo é impor medo a quem seja a vitima a qual se precisa arrancar confissões. 

O homem estava quieto, apenas o barulho de respirações suaves podiam ser ouvidas. Ele estava despreocupado, mas não por muito tempo. Finalmente, você decidiu deixar sua presença conhecida. Enquanto você agarrava a cadeira que Valkirye estava antes, Carol foi rápida em puxar o saco que cobria o rosto do miserável. 

"Bem, bem, o que temos aqui?" A voz dele era rouca e quebrada, anos de cigarro seria o único motivo para uma voz tão desarmoniosa, os dentes amarelados também era um indicio claro disso. Seu rosto tinha um hematoma roxo na mandíbula e um corte nos lábios, com certeza obra de Valkirye. "Se eu soubesse que seria amarrado para duas gostosas assim, eu teria vindo de bom grado."

O comentário foi os suficiente para que você revirasse os olhos, Carol apenas franziu a testa com tamanha coragem. Ele ainda não havia entendido a situação em que estava. 

"Acho que você ainda não percebeu que você não está em uma posição tão agradável, Marcos..." você se sentou bem em frente a ele, mas com um metro de distancia. "Ou devo te chamar de Roberto?"

A expressão em seu rosto apontava que você tinha apertado um ponto sensível. 

"Admito que Roberto combina mais com sua cara."

"Quem é você e como me achou?" 

"Te achar foi fácil depois de descobrir quem você era..." Você manteve um tom de voz despreocupado, quase amigável. "Imagina a minha surpresa quando Carol cruzou o banco de dados e viu você, alguém que deveria estar morto, vivendo como um rico com uma herança interminável."

A carranca do homem de, talvez uns trinta e cinco a quarenta anos, se aprofundou. Você retirou um papel do bolso, desdobrando-o. 

"Quando a gangue Mortais foi alvejada, o corpo de Roberto Alves, o líder da gangue, foi o único que ficou irreconhecível." Você leu o relatório da policia. "E cito: Entretanto, era de se esperar que o líder fosse o  mais atingido depois de descobrirem que ele foi o mandante da morte do casal de empresários e o desaparecimento de sua única filha."

"Agora você entende a gravidade da situação em que se meteu?" Carol zombou.

Você observou com calma as expressões de Marcos, ou melhor, Roberto. Não demoraria muito e ele cederia, apesar de sua fachada de confiança.

"Vou ser direta, Roberto." Você se inclinou na cadeira, um olhar intimidante encarou os olhos castanhos escuros e nebulosos do homem de idade jovem, porém desleixado com sua aparência. "Eu sei que não foi você. Apesar de você sacrificar toda a sua gangue em prol dessa mentira, você lucrou com isso. E eu quero saber quem te deu esse lucro."

"Eu não sei do que você está falando, garota..."

"Ah, você sabe..." Você o interrompeu, sua voz se tornando cada vez mais sombria. "Eu pretendo arrancar essa informação de uma forma ou de outra. E esse arrancar não envolve só a verdade."

"Você pode não ter muito tempo, então..." O homem disse com um sorriso malicioso. "Logo vão sentir minha falta e você vai ter um alvo mas costas."

"Eu acho que você está me subestimando." Você se levantou, os braços cruzados atrás das costas em expectativa. "Eu estou mais que preparada para enfrentar de frente quem quer que seja o seu chefe, na verdade, estou esperando ansiosamente por esse encontro..."

"Quem é você?" O homem perguntou com uma voz baixa, o nervosismo lutando para não transparecer.

"Quem eu sou, não importa."

Um barulho de porta abrindo e rodas de plástico ecoou. Valkirye entrou com uma mesa de metal repleto de intens cortantes, alguns até perfurantes também.

"Eu sempre dou duas opções para homens como você." Você se aproximou da mesa, os olhos passeando entre os intens.

"Homens como eu?" Roberto já estava nervoso, a hesitação em suas palavras poderia ser sentidas.

"Criminosos sem convicções." Você moveu a mão para segurar uma faca extremamente afiada. Simples, mas eficaz. "Você pode ser sincero e responder minhas perguntas com a verdade... Ou, eu posso deixar Brumdilde aqui brincar com você. E só para avisar, esse é o jogo favorito dela."

"Eu não tenho medo de vocês."  Roberto endureceu a voz, apesar do medo subir por sua espinha.

"Talvez eu deva nos apresentar." Você se virou para encará-lo. "Esta aqui do meu lado é King Valkirye, entre nós três, ela é quem mais tem conhecimento da anatomia humana e seus pontos mais doloridos."

"Como vai o queixo?" Brumdilde ironizou.

"A que está do seu lado é a Marvel, apesar do nome inofensivo, ela é mais mortal do que uma víbora."

"Só você para fazer isso parecer uma ofensa e um elogio ao mesmo tempo." Carol revirou os olhos.

"E eu, bem gostam de me chamar de Viúva Vermelha..."

O rosto do homem ficou completamente pálido. Essa era a reação que você queria. Aparentemente, sua reputação a precede até mesmo no mundo obscuro.

"Gostaria de fazer as honras, King?" Você perguntou a mulher de tranças.

"Eu adoro nossas noites das garotas! É sempre emocionante." Valkirye se virou para a mesa com animação, enquanto o peso da situação pesava sobre Roberto.

Você concluiu que seria breve. Mas pode dizer que isso não te decepciona um pouco. Para um cara que fingiu ser o mandante da morte da de uma das duas famílias mais perigosas do mundo, você esperava mais.

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⏰ Última atualização: Mar 11, 2025 ⏰

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Destinada A Ela - Natasha RomanoffHistórias para pegar e não largar. Descubra agora