058- And the model of the year is...

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EU SEMPRE fui uma pessoa muito concentrada e focada nos meus objetivos. Não era algo que simplesmente desenvolvi através dos anos, e sim algo que nasceu comigo. Desde pequena eu sabia o que queria fazer, como deveria fazer e quando. Meus pais me criaram dessa maneira, e eu sempre soube que as coisas somente funcionariam se eu estivesse totalmente focada.

Durante a infância não há preocupações, ou melhor, não deveria haver. No entanto, eu tive a infelicidade de ser fruto de um relacionamento que não durou até o final da minha infância. Brigas, traições, gritos; essas simples coisas estavam sempre ao meu redor durante anos.

Quando meu pai enfim saiu de casa para viver com sua nova mulher que estava grávida de sua segunda filha, eu pensei que finalmente teríamos paz. Afinal, a raiz dos problemas não era meu genitor? O homem que, apesar de sempre fazer questão de participar da minha vida, não soube ser fiel à mulher que o amava com todo seu coração. E ainda tinha Pietro, que era novo demais para entender que não cresceria com seus pais juntos.

A paz durou muito pouco. Analisando agora, depois de anos, eu, minha mãe e Pietro tivemos muito pouco tempo antes de tudo desabar definitivamente.

O câncer é como um inimigo invisível, uma sombra que se infiltra na vida das pessoas sem aviso prévio. Um inimigo maligno, que ataca não apenas o corpo, mas também laços familiares e deixa cicatrizes profundas na alma.

Minha mãe sempre foi meu porto seguro, meu abrigo contra as tempestades da vida. Eu sempre pude contar com ela. Mesmo quando estava quebrada por dentro após a separação com meu pai, ela mantinha um sorriso no rosto e sempre tinha palavras doces e motivadoras para mim.

Ela era apaixonada por Pietro. O segundo filho tão planejado e esperado, que recebeu o nome do meu avô. Eu amava vê-los juntos, a forma que seus olhos brilhavam quando o assunto era o meu Pipo.

Quando o acidente aconteceu, resultando na paraplegia de Pietro, ela continuou firme, porque sabia que eu e Pietro precisávamos dela mais do que nunca.

A simples presença dela me confortava. Seu sorriso era o meu sol nos dias nublados. Nós éramos inseparáveis.

Mas, de repente, tudo mudou. O diagnóstico veio como um raio, e a luta contra o câncer se tornou uma batalha diária.

Em pouco tempo, ela foi perdendo seu brilho, sua força e, eventualmente, a vida. Foi rápido. Eu e Pietro mal tivemos tempo de nos despedir.

Quando ela morreu, eu me senti sozinha de uma forma que nunca me senti antes. Como se o chão tivesse sido tirado sob meus pés. Eu ainda tinha Pietro, meu pai e Sara - que ficou ao meu lado todos os dias após o enterro -, mas não era suficiente. A mulher que eu mais amei na vida não estava lá para me abraçar todas as manhãs antes de trabalhar.

Ainda assim, quebrada por dentro, eu não pude me render ao luto. Tinha uma criança dependendo de mim e que não queria ficar longe. Eu me agarrei àquilo; na responsabilidade de dar todo conforto que Pietro precisava naquele momento.

Eu achei que podia cuidar de Pietro.

Eu queria fazer aquilo pela minha mãe.

Mas...

Eu não tive forças para fazer o que minha mãe fez por tantos anos. Cuidar de uma criança e manter as contas em dia foi ficando cada vez mais difícil.

Eu simplesmente não tinha vida.

A decisão de colocar Pietro na responsabilidade do meu pai foi dolorosa e angustiante, mas hoje percebo que foi o melhor para nós dois.

Teve um momento que eu senti que precisava de férias.

Era estranho pensar naquilo porque, por muito tempo, a ideia de descansar parecia um absurdo. Enquanto Pietro estava na minha responsabilidade, eu não podia, sequer, pensar na possibilidade de tirar alguns dias de descanso.

𝐒𝐄𝐉𝐀 𝐌𝐈𝐍𝐇𝐀 | 𝐑𝐎𝐒𝐀𝐌𝐀𝐑𝐈𝐀 𝐌𝐎𝐍𝐓𝐈𝐁𝐄𝐋𝐋𝐄𝐑Histórias para pegar e não largar. Descubra agora