Capítulo LII

348 33 16
                                        

Seul, Coreia do Sul, Atualidade (Correspondente a: Capítulos XLVIII, L e LI)


Senti-me desorientado e cansado. Não sabia bem o que fazer. Já esperava ter de dormir nas ruas aquela noite e estava realmente, profundamente, exausto. O álcool que tinha bebido não tinha ajudado pois entorpecera-me os sentidos. Uma parte de mim já não se importava com isso. Nada mais importava dado que tinha perdido o que para mim era mais precioso. Sentia-me estranhamente vazio.

Sentei-me numas escadas largas perto de um prédio qualquer, o tempo a passar lentamente por mim como se fosse uma nova forma de tortura enviada pelos deuses. As luzes da cidade ainda estavam tão vivas em todo o lado, mas eu sentia-me ausente. O frio da noite batia-me na pele, mas não era o suficiente para ser um incómodo real para um alfa puro como eu. Não me mexi por muito tempo. Para quê? Nada fazia sentido.

- Sai da minha frente, empecilho nojento. – A voz de um desconhecido interrompeu o silêncio da minha mente. Não me tinha apercebido da sua aproximação e o meu lobo estava claramente demasiado cansado.

Antes que pudesse agir ou falar, senti um empurrão nas costas. Noutra ocasião, a situação seria bem diferente, mas naquele momento apenas me mantive sem reação. Nem me dei ao trabalho de responder. Não valia a pena. Se ele quisesse bater-me e descarregar a sua raiva em mim, força. Fazia-me bem ser um saco de pancadas para espiar os meus pecados.

- Estás com problemas de audição? – O estranho estava insistente e, com um pontapé nas costas, tentava claramente provocar-me. Nem ele devia saber porque estava a agir assim. Talvez estivesse em busca de adrenalina ou talvez fosse só mais um bully.

Suspirando, levantei a cabeça devagar, sem grande vontade de reconhecer a situação. Uma cara comum que ergueu o braço sobre mim, preparando-se para mais uma pancada.

- Seu... - Começou.

No entanto, antes que pudesse dizer ou fazer mais alguma coisa, uma voz familiar atravessou o ar, fazendo com que o meu coração falhasse uma batida.

- Ei! – A voz de Jimin estava tão fria que poderia congelar qualquer um. – É bom que não toques nele!

Olhando na sua direção, temendo estar a ter uma miragem, percebi que o homem que me incomodava também se voltou. Ele estava realmente ali. Mesmo ali, à minha frente. Os seus olhos determinados, algo que eu nunca presenciara antes da sua parte, pareciam aumentar de tamanho. O estranho apenas riu, desprezando a sua intervenção, quando viu as suas feições delicadas.

- Porquê? O ómega pequenino vai bater-me, é? – O tom sarcástico fez o meu peito apertar. Se ele desse sequer um passo na direção do Jimin, ia ficar sem andar.

- Não. Mas posso morder-te. – Para minha surpresa, Jimin sorriu de uma forma que me prendeu a respiração, revelando a boca cheia de dentes pontiagudos. Os seus olhos reluziam de forma distinta. Um olhar que já me era familiar. O seu lobo claramente, e surpreendentemente, a manifestar-se fisicamente. Ele nunca o tinha feito antes, mas tinha conseguido. Por mim. O meu coração encheu-se de orgulho.

O homem recuou imediatamente, levantando as mãos em rendição.

- Calma lá... Se o queres assim tanto, fica com ele. – Desceu as escadas como se não fosse nada, desaparecendo da nossa vista.

Regressando ao seu estado normal, adorável, respirou fundo e voltou-se para mim. Levantei-me, atingido pela confusão de o ver ali. De certeza que não era um sonho? Eu estava exausto... Ele estava realmente ali?

- Jimin, o que estás aqui a fazer? – A minha voz soou hesitante, até para os meus ouvidos. Aguardava a resposta com espectativa.

Como um anjo, sorriu docemente e caminhou na minha direção. Deixou a mala que arrastava atrás de si no fundo das escadas e, quando chegou mais perto, aumentou o sorriso.

Pure Wolf (JiKook - ABO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora