Capítulo 20

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AURORA FERRARI






   Havia acabado de sair do banheiro enrolada apenas com uma toalha cobrindo meu corpo, me certifiquei de arrancar qualquer vestígio ou cheiro de sangue presente em mim. Durante esse intervalo de tempo, uma única situação se passava pela minha cabeça.

   E se Matteo não tivesse aparecido?

   Meus pensamentos são interrompidos por batidas na porta e a voz da minha irmã chamando meu nome.

   — Aurora? Posso entrar? — Murmuro um entre baixinho mas alto o suficiente para que ela me ouça; ela entra — Matteo pediu que eu subisse para você não ficar sozinha. Luc me contou oque houve, Nolan machucou você?

   Sorrio para ela, mostrando que estou bem.

   — Agora está tudo bem, Matteo chegou antes que ele pudesse fazer algo de fato.

   Emma suspira aliviada sentando-se na cama; me sento ao seu lado.

   — Que bom que está bem, sinto muito por não poder ter feito nada para te ajudar, estava lá fora fumando tentando esquecer aquela cena ridícula que Alex fez. — ela diz irritada, imagino que esteja se referindo ao beijo que Alex lhe deu.

   — Ah, é mesmo, ele beijou você, né?

   — Eu entendo que ele queria fazer ciúmes na Karen, mas precisava mesmo me beijar?

   Sua fala me leva a lembrança do que Karen havia falado antes. Eu sei que ela vai ficar brava, mas eu preciso falar oque aconteceu pro Matteo.

   — Sei que vai parecer que eu só estou defendendo a Karen por ela ser minha amiga mas, ela não voltou com Nolan porque queria. Ela nunca quis magoar o Alex.

   — Eu não me importo com os motivos dela, só não quero que venha me culpar pelo que aconteceu hoje. Eu não fiz absolutamente nada.

   Sorrio, eu sei que minha irmã se sente mal por ter perdido a amizade da Karen e se arrepende do que fez, mas é orgulhosa demais para admitir.

   — Eu sei, Emma. Acredito em você.

   Ela me encara com o cenho franzido, parecendo um pouco surpresa com a minha fala.

   — Enfim, que bom que não aconteceu nada grave com você.

   — Sim, foi uma sensação horrível, fiquei desesperada.

   De repente, Emma muda completamente seu semblante.

   — É, eu entendo como você deve ter se sentido. — ela diz quase como um sussurro; a encaro sem entender.

   — Como assim entende? Já aconteceu algo assim com você? — minha pergunta sai meio desesperada, não quero acreditar que algo assim tenha acontecido com ela.

   — Não, não. Só… imaginei que deve ter sido horrível, afinal, nenhuma mulher merece passar por isso.

   Ela tenta passar convicção em suas palavras, mas eu não acredito muito. Emma anda meio estranha desde que voltei do meu “sequestro”. Ainda não descobri o motivo pelo qual ela estava tão aflita naquele dia.

   Antes que eu faça alguma pergunta, Matteo entra no quarto com um estojo de primeiros socorros em suas mãos e uma garrafinha de água.

   — Bom, já que o senhor sem educação que não sabe bater na porta antes de entrar voltou, vou voltar lá pra baixo — Emma diz se levantando indo em direção a porta — se precisar de algo, grite. — ela fala e fecha a porta.

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