Eduarda.
Essa noite foi muito difícil de dormir. Minha mãe mais uma vez acordou nostálgica e me enviou fotos pequenas de Nataniel. Consigo sentir na pele sua dor, a dor de perder um filho, a dor de perder filho pro *tráfico*, a dor que ninguém merece sentir.
Depois daquele dia que Julia acertou a bola em cheio no meu nariz eu venho sentindo uma puta dor de cabeça, achei que fosse passar na primeira noite mas hoje já se fazem dois dias e nada.
Ontem foi diferente do habitual, mesmo tendo tomado duas pílulas de melatonina para dormir minha mente não se desligou um minuto se quer, acho que foi até bom pois se eu tivesse ido dormir teria tido pesadelo com aquele maldito dia de novo.
Naquelas fotos vi o quanto éramos felizes, somente eu, meu irmão e minha mãe. Juntos.
Tive uma rasa lembrança de um dia das crianças onde teve um show beneficente lá onde moramos, Nataniel ficou tão, mas tão feliz ao ganhar um carrinho de controle remoto que até dormiu com ele grudado no lençol. Lembro que naquela semana ele levou o carrinho todos os dias pra escola e em todos eles minha mãe recebeu notificação das professoras dizendo que ele não parava de conversar na sala de aula.
Sinto saudades suas, irmãozinho.
Com esse pensamento derrubo mais uma lágrima apoiando a cabeça nos meus antebraços encima do apoio de vidro da varanda vendo o sol nascendo. Como disse eu não consegui dormir nadinha, não queria fazer muito barulho para não acordar Julia mas também não queria sair do quarto, optei por ficar ali, perto mas também longe.
As lágrimas ficaram cada vez mais densas e pela primeira vez eu não conseguia controlar, não sei porque já que a morte do meu irmão era algo que eu sofria constantemente mas desta vez estava sendo diferente. Queria controlar os soluços, fazer eles pararem mas isso também não estava ao meu alcance. Que merda, vou encomodar os outros, não quero encomodar ninguém. Meu primeiro pensamento era pegar o resto do que sobrou da semana e acender atrás da churrasqueira. Isso eu também não consegui fazer, e eu não sabia o porquê. O porquê dos meus dedos tremerem tão forte e eu mau sentir a força deles quando abaixei ainda mais minha cabeça e agarrei com força meu cabelos. Eu estou um completa confusão. E espero que ninguém saiba disso.
Tarde de mais.
-ei, ei! - sinto o cheiro de maracujá e a voz fraca se aproximando das minhas costas. Ela estava ali. Mas ela também não tinha que estar e muito menos precisava. Muito menos eu deveria estar ali, prometi a mim mesma que neste ciclo importante eu estaria 100% focada no mundial. Daria tudo e mais um pouco nos treinos, me esforçaria pra chegar ao pódio e poder mudar de vida mais...hoje, especificamente hoje, isso não estava acontecendo. -vem aqui.- sinto a palma de sua mão nas minhas costas parcialmente descobertas. Não viro meu rosto em sua direção pois se fizesse além de tristeza eu estaria sentindo vergonha. A última coisa que eu queria neste momento era sentir alguma coisa. Mas ela me fez sentir, me fez sentir acolhida quando puxou meu tronco e escondeu-me em meio ao seus braços longos. Eu não sei se odiei ou se gostei, realmente eu estava confusa mas não me permiti controlar, simplesmente desabei, sem dizer uma única palavra sobre qualquer coisa e ela sem me cobrar dizer nada, ficamos ali. Ficamos ali tanto tempo que eu não sei quanto, mas sei que ela não me soltou um segundo se quer.
-vai lá lavar o rosto, posso ir buscar alguma coisa pra co-
-obrigada, Julia.
A corto enquanto ela agarra meu rosto com as duas mãos e seus polegares limpam as lágrimas quentes que saiam de mim.
Seu rosto agora fica surpreso e um sorriso pequeno sai de seus lábios, esses pelo qual agora eu não consigo tirar os olhos. Prendo minha respiração ao vê-la chegando mais perto ainda com as mãos na minha bochecha, ela se aproxima e derrepente abaixa um pouco minha cabeça, fica na ponta dos pés e beija minha testa. Somente isso, um beijo na testa.
Não sei oque esse jesto significou mas meus olhos vermelhos ficam pequenos pelo sorriso que soltei automaticamente ao olha-la denovo.
E eu volto a respirar.
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ligadas por um
Fanfictionuma jogadora do time rubro negro de coração carioca se apaixona pela jogadora do azul e branco mineiro. Mesmo predestinadas a se odiar constroem uma história juntas. Como isso acontece? vem descobrir!
