Eduarda
Uma grande parte da minha adolescência eu me convenci de que estava fazendo coisas normais.
Fumar, beber, perder a virgindade, dar pt, ir ao baile.
Sim eu sei, não é normal.
Até porque eu também não era.
Eu era/sou uma atleta, acredite ou não eu era MUITO focada nos estudos (cheguei a ganhar uma bolsa de estudos de 70% no Canadá e uma de 60% na França) e além do mais não perdia meu tempo com namoros.
As vezes, quer dizer...o tempo todo, eu penso onde eu estaria se pudesse ter dinheiro pra pagar os outros 30/40 que os estudos proporcionaram pra mim ou até mesmo aceitado as ofertas de jogar fora do país...a resposta é: bem
Eu estaria bem.
Porque tudo isso tinha que ser tão injusto?
Eu tinha de tudo, tudo, tudo pra estar em um lugar melhor mas mesmo assim eu tenho uma mãe jogada na favela que se recusa a parar com as drogas.
Uma grande, na verdade ENORME parte de mim a quer de volta e pensa que a culpa disso tudo é minha (talvez seja) já a outra parte me diz que esse é aquele tipo de problema pelo qual eu não tenho como resolver.
E isso me irrita profundamente.
-acabei amor.
A voz *dela* percorre do meu quarto até o corredor que ligava a sala.
Eu e Julia marcamos um jantar romântico hoje a noite já que pasmem, amanhã já era meu aniversário.
Mas na verdade esse não foi o motivo do nosso encontro marcado.
Ontem fiquei atolada com muitas coisas pra resolver sobre o aluguel da casa da minha mãe que estava atrasado, sem nenhuma novidade, e além do mais o prazo de validade para o caixão de Nataniel no cemitério em Botafogo estava a meses para inspirar. Isso era oque mais me dóia, ter que jogar suas cinzas fora era algo que eu definitivamente não estava preparada para fazer.
Voltando ao foco, com isso tudo ontem eu mal tive tempo de ver Julia, ela foi na casa da lelê já que Kênia e kisy estavam lá, tiveram uma "grils night" na qual eu não fui literalmente "convidada" pois me avisaram sobre o evento meia hora antes, quando cheguei em casa por volta das 20h e Julia não estava.
Con certeza conhecendo Letícia elas estavam aprontando algo do qual eu não vou me esforçar em descobrir.
Por fim, dormi sozinha.
Não comentei do fato de amanhã ser meu aniversário com Julia e nem deixei que ela fuchicasse minhas coisas pra saber já que...eu odeio aniversários.
Odeio qualquer tipo de comemoração em relação a vida.
Na caso, a minha que desde sempre foi uma desgraça.
"Nossa Maria Eduarda mas que depressão"
Mas é a verdade.
Celebrar a vida de quem?
De uma garota passando por um pós-vicio com uma mãe relativamente drogada e um aluguel filhadaputamente atrasado que ainda não superou o luto do irmão que faleceu a anos?
Uau, que vida.
Eu estava fechando as cortinas da varanda já que a janela em si estava aberta.
Vamos passar as próximas horas foras e a casa muito quente quando voltarmos não seria bom.
Olhei para trás quando ela me chamou:
-oque achou?
Okay, eu definitivamente sou MUITO simples perto de Julia.
Que mulher.
Q
U
E
M
U
L
H
E
E
.
Minha mulher.
Minha?
Fodase.
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ligadas por um
Fanfictionuma jogadora do time rubro negro de coração carioca se apaixona pela jogadora do azul e branco mineiro. Mesmo predestinadas a se odiar constroem uma história juntas. Como isso acontece? vem descobrir!
