tenho que te falar.

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Eduarda.

Faltava apenas um hora para descermos no ônibus e não sei quando mas eu acordei do meu cochilo. Na verdade sim, eu sabia, só estava irritada demais pra admitir que era um ser 1,60 que estava praticamente do outro lado do mundo.

Letícia. Estava me enchendo de mensagens, perguntando sobre tudo oque não teve a oportunidade de falar nessas últimas semanas. Como uma boa amiga eu respondi, mas minha maior preocupação em relação a ela era seu mental. Letícia assim como eu também é pessima em falar oque está acontecendo, sinceramente não sei como a nossa relação da certo porque a única vez que a vi chorando ou foi em uma final ou foi quando eu cheguei na casa dela e ela do nada foi de um sorriso simpático a um choro desabante no meu colo.
Esse dia foi quando aconteceu sua lesão. Me lembro até hoje.

Eu estava em um confronto contra o maricá enquanto no mesmo horário ela jogava contra o Tijuca, ambos os jogos pelo estadual. O meu jogo como de esperado terminou mais cedo e eu estava terminando de tomar banho no ginásio pra ir até o Tijuca Tênis Club quando derrepente Isabel, a Mãe de lelê me liga. Inicialmente achei que fosse pelos ingressos já que quem conseguiu pra mim havia Cido ela, mas quando ouço um choro desesperador eu associo tudo. Uma lesão que a tiraria de seu último ciclo pela selecão de base e sabe-se lá quanto tempo demoraria pra ela se recuperar.

Só digo isso pra que entendam o papel tão importante que ela tem na minha vida, assim como eu tenho na dela.
Quando finalmente o assunto sobre quem seria capitã acabou não demorou muito até ela começar a assosiar o porquê de eu ter dado a vaga logo pra Julia, a menina a qual tantos anos ela me ouviu reclamar.

"Perai, agora que eu parei pra pensar"
"Porra Maria Eduarda"
"Julia?"
"Ela não é tipo, a garota que você odeia?"
"Que porra é essa?"

            "Amiga, se você estivesse aqui entenderia"
                    "Ela tem sido incrível comigo"

"?????"
"Como assim?"
"Vocês nem se falam direito, e dividir quarto é só dormir no mesmo ambiente"

                         "Minha mãe teve uma recaída."

E após está frase ela se entendeu tudo.
Como sempre.

"Ah."
"Desculpa por não estar aí com você."

                                  "Tudo bem, não e culpa sua"        

"Sinto como se fosse"
      
                                                    "Mas não é."      

"Certo"
"Então....se ela estava lá.....você falou sobre sua mãe?"
"Cara"
"Você tá apaixonada"
"Eu sempre falei"
"Sempre avisei"
"Eu sou foda cara"

E eu começo a me controlar pra não parecer uma doida rindo pro celular. Só Letícia era capaz de fazer isso. Estávamos falando de um assunto totalmente delicado e derrepente estávamos rindo.
O que me tranquiliza é saber que ela está feliz por mim, feliz porque sabe da dificuldade que eu tenho e estou disposta a melhorar.

"Mas então?"
   
                                             "Então oque?"

"Não se faz de boba"
"Rolou ou não rolou?"

É. Rolou, mas decido fazer um suspense, só pra testar um pouco a paciência dela.

                             "Depende, oque cê quer dizer?"

"Não me testa porra"

Como disse, ela sempre sabe.
  
                                "É você que não sabe falar"

ligadas por umHistórias para pegar e não largar. Descubra agora