Julia.
Estávamos em um aeroporto na Alemanha esperando a conexão fazia cerca de uma hora.
Eu finalmente estava morrendo de fome, digo finalmente pois estava difícil sentir alguma coisa ultimamente. Claro, a felicidade por ser a nova capitã desta equipe maravilhosa me enchia de orgulho mas antes de ontem a tarde não me saia da cabeça.
Primeiro e mulher que eu achei que me odiava a vida inteira me cede a vaga de capitã, segundo ela me beija, terceiro eu dou a notícia a minha família e não menos importante, em quarto lugar eu discuto mais uma vez com meu pai. Dessas sequências a que mais ficou em minha cabeça foi o nosso beijo. Nada havia mudado, continuavamos no mesmo grupo com as mesmas pessoas, que falavam sobre as mesmas coisas, sobre os mesmos assuntos e no mesmo quarto. Mesmo dormindo no mesmo ambiente não tivemos a oportunidade de ficar a sós a não ser quando estávamos dormindo já que ontem, quando saímos do Brasil, eu podia ter e quase certeza que Duda estava me iguinorando, dessa vez diferente, não como se não ligasse, já que em alguns momentos a vejo me encarando em minha visão periférica, mas é como se ela, toda as vezes que ficasse perto de mim fosse interrompida por algo ou alguém e isso estava ficando na minha cabeça mais do que devia.
Vou na fila de um quitinete onde por algum motivo vendia comida francesa, esperando encontrar um gigantesco croissant que preencha toda minha fome e dor de cabeça de tanto pensar. Ainda faltam duas pessoas a minha frente então resolvo dar uma olhada no cardápio. Péssima escolha, estamos na Alemanha porra, óbvio que eu não ia saber nada. E quando eu estava abrindo o Google tradutor sinto uma mão tocar suavemente, quase como um segredo em minha cintura e aquela voz, *aquela*, invade meus ouvidos.
-se eu fosse você pegaria um "Boeuf bourguignon" já que não comeu nada.
Ela diz com tanto natuladidade que vários pontos de interrogação se abrem em minha cabeça cabeça. Primeiro de todos, porque ela estava tão perto de mim sabendo que o time todo estava somente do outro lado do saguão, segundo porque caralhos ela sabia falar francês? Ou alemão seila, e terceiro, porque ela sabia que eu estava a praticamente um dia sem comer?
-que?
Respondo automaticamente.
-é um prato que leva carne, batata e alguns molhos, vai te encher bem.
De novo como se soubesse de tudo, sempre, ela retira a mão da minha cintura e pega o cardápio confessando a escanea-lo com os olhos.
-acho que vou pedir um "ratattoullie"...
Ainda confusa demais pra perguntar algo elaborado faço o óbvio.
-espera, ratatule? Do filme do ratinho?
Minha pronúncia de seja lá oque for isso deveria ser ao menos considerada ridícula comparada a sua. Penso isso pois ela solta uma risada contida, mas sincera após eu dizer a frase.
-"ratattoullie" é, como no filme, Julia, sim.
Responde obviamente irônica e eu levanto uma sobrancelha a encarando.
-é ratatule e minha pronúncia está certa sim ok!?
Arrancou mais uma vez uma risada sua e era como se tudo tivesse parado somente para capitular está momento. Seus dentes alinhados perfeitamente e as covinhas nas suas bochechas finas as enchias fazendo seus olhos ficarem pequenos. Meu Deus. Ela é linda. O som da sua risada é lindo. A forma como seus ombros se encolhem é lindo e talvez eu precise de um babador porque eu estou admirando essa mulher sozinha por tantos segundos que não escuto o moço da bancada chamando o próximo cliente. Vendo que eu não entendia uma palavra do que ele disse, Duda toma a frente e responde por nós duas.
-Bonsoir, je prendrai deux plats, rattatouillie et bœuf bourguignon avec deux coca s'il vous plaît
(boa noite, vou querer dois pratos, rattatouillie e Boeuf bourguignon com duas cocas por favor)
VOCÊ ESTÁ LENDO
ligadas por um
Fanfictionuma jogadora do time rubro negro de coração carioca se apaixona pela jogadora do azul e branco mineiro. Mesmo predestinadas a se odiar constroem uma história juntas. Como isso acontece? vem descobrir!
