coisas pt2

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Eduarda

Aquele dia foi um pesadelo

Tudo era um pesadelo

Aquela tarde

Aquelas palavras

Aquele lugar.

*Flashback*

Ver minha mãe naquela situação me assustava tanto a ponto de eu não reconhecer mais a pessoa que me pôs ao mundo.

Se qualquer um perguntasse eu respondia fielmente que a pessoa que eu mais amo no mundo (e que mais me ama) seria minha mãe, agora eu realmente não sei mais.

Parecesse que ela já deixou de me amar a tanto tempo que só eu não percebi.

O olhar dela, frio, irritado, bravo e fechado era o reflexo que ela tinha de mim.
A frieza de ver uma filha
A irritacao do seu sucesso
A braveza de querer distancia-la
A fechadura que criou entre nós.

-mãe...-começo a dizer quando estávamos dentro do carro no final do caminho da minha casa. Até então estávamos em um silêncio insudecedor - eu tava pensando sabe....talvez se você quiser, eu possa passar um tempo lá na sua casa...-ela me olha bruscamente e para de mexer no cinto. Naquele momento percebi que talvez eu possa ter dito algo que não devia.-pensa que pode ser melhor...pra você, mim, pra gente....pra nossa família....

Digo calma, mas suas pupilas não desviaram de mim.

Observo lentamente sua sobrancelha franzir em irritação, as rugas na testa evidentes e sua boca abrir para as seguintes palavras:

-não, eu não quero.

A buzina do carro atrás do meu me dispersa daquela conversa, mas minha mente ao mesmo tempo que processava a acão de pisar no acelerador, me mantinha presa na frieza no qual acabei de escutar.

"Não, não quero"

E isso se repetia, várias vezes.

Várias

Vezes

-não vou pra casa agora, me deixa na próxima rua.

Confusa, realmente não entendi oque ela planejava fazer.

-como assim? Tem noção que acabou de sair de um hospital?

Talvez as palavras que utilizei tenham se juntado ao tom de voz, porque agora se iniciaria uma discussão que estava sendo nescessária a muitos anos.

-sim, Maria Eduarda eu tenho. E eu não estou pedindo nada a você, só que me deixe na porra da outra rua.

ela varia o olhar entre a janela a sua direita e a mim enquanto eu podia jurar que quebraria o volante com a força que o segurava.

-e você vai fazer oque lá ? Alguém mora ali? Alguém que eu confie de deixar você?

Ela vira lentamente a cabeça arrega-la os olhos irritada e diz:

-e eu por acaso te devo satisfaçao Maria Eduarda? Eu vou aonde eu quiser, eu ein!

Respiro fundo, tento me controlar, controlar as falas, as expressões mas não consegui.

-disse que era pra me deixar ali, porque ainda tá seguindo o caminho de casa!?

-ainda está perguntando, mãe? - parei num sinal e finalmente pude olhar em seus olhos.- você é uma VICIADA que acabou de sair de uma OVERDOSE! Tem nocão disso? E quer que eu te deixe sozinha?

Pronto, agora a merda começou.

-VICIADA!? TOMA CUIDADO PRA ABRIR ESSA BOCA AO FALAR COMIGO MARIA EDUARDA! -ela berra no carro. Vejo de relance sua mão levantar com o gesto de me bater, algo que já estou acostumada, porém novamente a buzina do carro nos para. -"viciada"....-ela imita a forma como falei debochando- antes de me chamar de qualquer merdinha pergunta o porquê, o porquê dessa merda de situação toda tá acontecendo! Sua INGRATA!

ligadas por umHistórias para pegar e não largar. Descubra agora