descanso

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Gente só uma perguntinha, vocês preferem um pulo no tempo ou que eu passe os dias contando tudo direitinho?

Claro que tem um meio termo tipo, eu vou pular partes ou dias desinteressantes, mas é porque eu fico com receio de estar demorando muito pra fazer algo na fic....mas é vocês quem sabem!

E outra, tô adorando que vcs estejam comentando mais por agora!!! Beijos bora pro cap.

Eduarda.

Quando me vejo estou no mirante da favela, soltando fumaça pelo boca no meu segundo baseado, sozinha, sem ninguém. Mas meu pensamento estava muito longe de estar sozinho.

"Eu prometo que não vai mais acontecer, irmãzinha"

"Ei relaxa, não precisa contar pra mamãe, eu já parei faz tempo"

"Para de mexer nas minhas coisas...essas gramas nem são minhas!"

"Por sua culpa agora eu tô devendo a boca, caralho! Porra eu achava que você era minha irmã, minha melhor amiga!"

Essas foram minhas últimas discussões com Niel. Eu tinha esperança que ele fosse cair na real. Tinha esperança que ele fosse parar. Mas já era tarde demais. Meu melhor amigo, o irmão que eu não escolhi mas agradecia por ter.
Ninguém iria me entender, mas eu sinto falta dele. Sinto falta do pretinho, sorriso branco, cheio de sonhos, brincando com o carrinho de controle dele...sinto falta dele, mas falta do muleke que brincava com os amigos de tarde na rua, não do ia escondido de madruga.

As vezes me culpo, pensando que eu poderia ter feito diferença, que eu poderia por as restrições que minha mãe não deu a ele. Talvez partir do momento que eu vi o pacotinho de maconha na mochila de escola dele, eu poderia ter evitado tudo isso.

Ah, Niel. Como eu sinto sua falta.

Olho pras minhas mãos que seguravam um isqueiro e o baseado acesso. Acendo nova mente o isqueiro e fogo me invade. As chamas derrepente vem pra cima de mim queimando minha visão. Não consigo ver nada além do fogo....e então, tudo era um sonho.

Até porque eu parei de fumar. Até porque eu não poderia ter feito nada diferente. Até porque....tudo foi real, só que agora não era mais. Queria que sua morte também fosse como apenas um sonho, mas ele não estava mais ali. Queria que o vício fosse só um pensamente distante, mas eu me entreguei. Queria que eu pudesse ter feito o papel que *ela* tem na minha vida na vida dele, mas eu não fiz. Não o impedi. E iria carregar essa culpa o resto do meu respirar.

Abri os olhos rápido e quase pulo da cama se não sentisse um peso sobre meu ombro. *Ela*  mesmo sem perceber, mesmo dormindo, mesmo sem saber, me salvou mais uma vez.
Se eu estivesse a um mês atrás já estaria com um cigarro na mão, me anestesiando dos pensamentos de agora pouco. Me ocupo tentando respirar mais forte e tentar sentir o ar entrando. Me afasto do seu corpo, me sento na ponta da cama e começo a me coçar. Assim como no primeiro dia. Uma coçeira sem fim. Uma vontade chorar inconfundível. A falta de ar esxeciva. Denovo eu estava tendo uma crise. Quando achei que conseguiria ter uma noite tranquila pra um dia de descanso da competição, meu corpo me engana. O maldito corpo que se acostumou a ingerir o indevido quando meus pensamentos eram erronios.

Não sei porque mas após a coçeira eu comecei a soluçar. Sentia como se meu coração fosse sair pra fora de tão rápido que batia. Não consigo respirar pela boca. Não consigo respirar pelo nariz. Não sei se estou chorando. Não sei se estou pálida. Mas sei não ouço nada. Não sinto nada. Não sei de nada. Não quero nada.
Nada.
Nada.
Nada.

-eu tô aqui!

Uma única frase, com três palavras, oito letras e pessoa que a dizia. Era tudo que eu precisava pra desabafar.
Seu abraço.

ligadas por umOnde histórias criam vida. Descubra agora