(Maiara)
Silencio o celular rapidamente, e observo a tela se acender novamente: "Pai". Sinto um calafrio percorrer meu corpo, quando meu pai me liga sempre é a pior notícia.
-Tem certeza de que não é nada importante? A pessoa tá insistindo bastante... - Fernando me faz retornar pra realidade.
-É só aquelas ligações chatas de operadora oferecendo plano! - engulo em seco - Bom, tô ansiosa pra festinha de 3 anos da Nanda, ela nunca teve um aniversário de verdade antes... - mudo de assunto.
-Eu tô feliz que finalmente eu vou poder estar presente no aniversário dela, finalmente vai ser a nossa família!
-É... - respondo com pouca emoção e forço um sorriso, a palavra família ainda mexe comigo, já que meus pais me odeiam por desonrar eles...
-Você sente falta dos seus pais? - ele me encara e por um segundo eu me pergunto se ele sabe ler mentes.
-Muita... Queria que eles conhecessem a Nanda, que vissem eu grávida de novo, que meu pai entrasse comigo no casamento...
-Eu sinto muito por isso... Infelizmente a culpa é toda minha. - o moreno diz baixinho.
-Não amor! Nunca diga isso! Cê não tá errado, e muito menos eu! O problema é minha família antiquada demais...
-Mas tu sempre foi a filha perfeita!
-Eu deixei de ser, desde que resolvi vir pra São Paulo, mas felizmente, tem minha irmã pra ser o orgulho deles...
-Ela nunca mais te procurou?
-Não, a Maraisa é muito certinha também, deve ter ficado tão decepcionada quanto meus pais...
Finalmente chegamos na frente da casa da Marília, e felizmente ela já estava esperando com minha filha no colo. Não tô com cabeça pra conversar com ninguém hoje.
-Tchau dida' Lila! - a pequena se despede com um abraço apertado.
-Quer entrar pra tomar café ruiva desbotada? - minha amiga brinca e eu rio fraco.
-Não, hoje eu tô meio fraquinha por conta do remédio. - falo em código, já que a Fernanda ainda não sabe da gravidez.
-Imagina, descansa amiga! Te amo!
-Também te amo! - o carro dá partida e todos nós acenamos da janela.
-Mamãe, cadê vô e vó? - fico surpresa com a pergunta mas me mantenho séria.
-Como assim princesa?
-Dida' falou dvô dela, cadê meu? - fico sem resposta e olho pro Fernando pedindo ajuda dele.
-Os papais do papai e da mamãe moram muito longe meu amor! - ele responde calmamente, sem perder a atenção no trânsito.
-Celula'?
-Não tem como fazer ligação amorzinho, lá não tem Internet! - ele mente e meu coração fica apertado.
Eu só queria que minha primogênita tivesse a oportunidade de ter avós, mas tanto os paternos quanto os maternos, odeiam eu e o Fe, e só iriam magoar o coraçãozinho dela.
Segui o resto do caminho em silêncio, enquanto meu namorado e a Nanda conversavam. Assim que chegamos em casa, eu corri pro banheiro e disquei o número do meu pai.
Liguei uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes e nada. Apenas o "tu tu" e a voz da caixa postal. A frustração começa a preencher meu corpo, mas mesmo assim eu ignoro o sentimento.
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Eita, o que será que o pai da Mai queria?
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@ iludida_das_fanfics.ofc
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Amor Imperfeito
Fanfiction"Nosso amor não chega nem perto de ser perfeito, mas é exatamente isso que torna ele bonito..." CONTÉM: SEXO, ÁLCOOL, PALAVRÕES ETC...
