47

107 4 2
                                        

(Maiara)

Silencio o celular rapidamente, e observo a tela se acender novamente: "Pai". Sinto um calafrio percorrer meu corpo, quando meu pai me liga sempre é a pior notícia.

-Tem certeza de que não é nada importante? A pessoa tá insistindo bastante... - Fernando me faz retornar pra realidade.

-É só aquelas ligações chatas de operadora oferecendo plano! - engulo em seco - Bom, tô ansiosa pra festinha de 3 anos da Nanda, ela nunca teve um aniversário de verdade antes... - mudo de assunto.

-Eu tô feliz que finalmente eu vou poder estar presente no aniversário dela, finalmente vai ser a nossa família!

-É... - respondo com pouca emoção e forço um sorriso, a palavra família ainda mexe comigo, já que meus pais me odeiam por desonrar eles...

-Você sente falta dos seus pais? - ele me encara e por um segundo eu me pergunto se ele sabe ler mentes.

-Muita... Queria que eles conhecessem a Nanda, que vissem eu grávida de novo, que meu pai entrasse comigo no casamento...

-Eu sinto muito por isso... Infelizmente a culpa é toda minha. - o moreno diz baixinho.

-Não amor! Nunca diga isso! Cê não tá errado, e muito menos eu! O problema é minha família antiquada demais...

-Mas tu sempre foi a filha perfeita!

-Eu deixei de ser, desde que resolvi vir pra São Paulo, mas felizmente, tem minha irmã pra ser o orgulho deles...

-Ela nunca mais te procurou?

-Não, a Maraisa é muito certinha também, deve ter ficado tão decepcionada quanto meus pais...

Finalmente chegamos na frente da casa da Marília, e felizmente ela já estava esperando com minha filha no colo. Não tô com cabeça pra conversar com ninguém hoje.

-Tchau dida' Lila! - a pequena se despede com um abraço apertado.

-Quer entrar pra tomar café ruiva desbotada? - minha amiga brinca e eu rio fraco.

-Não, hoje eu tô meio fraquinha por conta do remédio. - falo em código, já que a Fernanda ainda não sabe da gravidez.

-Imagina, descansa amiga! Te amo!

-Também te amo! - o carro dá partida e todos nós acenamos da janela.

-Mamãe, cadê vô e vó? - fico surpresa com a pergunta mas me mantenho séria.

-Como assim princesa?

-Dida' falou dvô dela, cadê meu? - fico sem resposta e olho pro Fernando pedindo ajuda dele.

-Os papais do papai e da mamãe moram muito longe meu amor! - ele responde calmamente, sem perder a atenção no trânsito.

-Celula'?

-Não tem como fazer ligação amorzinho, lá não tem Internet! - ele mente e meu coração fica apertado.

Eu só queria que minha primogênita tivesse a oportunidade de ter avós, mas tanto os paternos quanto os maternos, odeiam eu e o Fe, e só iriam magoar o coraçãozinho dela.

Segui o resto do caminho em silêncio, enquanto meu namorado e a Nanda conversavam. Assim que chegamos em casa, eu corri pro banheiro e disquei o número do meu pai.

Liguei uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes e nada. Apenas o "tu tu" e a voz da caixa postal. A frustração começa a preencher meu corpo, mas mesmo assim eu ignoro o sentimento.



Eita, o que será que o pai da Mai queria?

Galera, me sigam no insta, eu consigo conversar com vocês e dar spoilers, além de avisar sobre capítulos novos!

@ iludida_das_fanfics.ofc

Amor ImperfeitoOnde histórias criam vida. Descubra agora