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(Maiara)

Depois de chorar por longos minutos, eu volto pra minha cama, mas quem disse que o sono vem?

O medo de perder a hora de buscar minha irmã é maior que tudo, e eu passo a madrugada toda olhando pro teto sem conseguir fechar os olhos.

Quando o relógio marca 6 horas da manhã, resolvo levantar e começar a me arrumar pra sair.

Coloco um moletom bem quente por conta da neblina, e bebo uma xícara de café pra tentar dar uma despertada.

Saio sem fazer barulho nenhum, e sem acordar o Fernando, afinal, ele já tem problemas demais pra se preocupar.

Pego o carro e vou rumo a rodoviária, no caminho o trânsito matinal de São Paulo me encontra, mas hoje eu não tenho motivos pra perder a paciência com isso.

Pelo contrário, minhas mãos estão suando de nervoso e preocupação com minha irmã.

Não sei da onde ela tirou essa ideia maluca de fugir, porém fico feliz de ela me ligar e me contar tudo.

Mal estaciono na vaga e vejo no telão que o ônibus vindo do interior acaba de parar no terminal.

Ando o mais rápido que consigo e fico em frente ao portão de desembarque, esperando a minha outra metade aparecer.

De repente, avisto uma morena, de roupa larga, capuz na cabeça e cabelo preto repicado acima do ombro.

Pisco algumas vezes até finalmente reconhecer que é minha irmã, e assim que ela me vê, vem correndo na minha direção.

-Irmãzinha! - Maraisa quase grita e me abraça apertado.

-Minha irmãzinha... - afundo o rosto no ombro dela e desabo a chorar, liberando toda saudade que havia dentro de mim.

-Eu senti tanto a sua falta...

-Eu também minha princesa, eu também! - beijo a testa dela.

-Você tá tão linda! - ela sorri me olhando, com aquele mesmo brilho nos olhos de quando pequena.

-E cê tá tão... - tento encontrar a melhor palavra - Diferente...

-Eu tive que me disfarçar pra vir pra cá, eu mesma cortei meu cabelo com uma tesoura qualquer e peguei roupas dos meus amigos homens...

-Como tu teve coragem de cortar aquele cabelo lindo? Era tão grande... - lembro que a Isa sempre teve um cuidado tremendo com os fios pretos que passavam do bumbum dela.

-Eu fiquei com dó também, mas as vezes é bom mudar! - ela dá de ombros.

-Com certeza meu amor! - sorrio gentilmente.

-Bom, acho que aqui não é um bom lugar pra ficar o dia todo né?

-Com certeza não, vamos pra minha casa, irmã vai cuidar de você!



E o reencontro das duas veio aí🥹🧡

Amor ImperfeitoOnde histórias criam vida. Descubra agora