Luna que sempre foi um espírito livre se viu obrigada a ter alguém seguindo todos os seus passos após alguns acontecimentos.
Heitor é apenas alguém que foi pago para garantir a segurança de uma garota mimadinha, mas vai se surpreender quando ver aqu...
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Ouço a professora falar sobre como foi bom trabalhar com a gente por quatro anos e que sentirá falta da turma animada que éramos.
Hoje é finalmente o último dia das aulas da faculdade, estamos prestes a sermos oficialmente bacharéis em moda.
Foram quatro anos de muito aprendizado para todos nós aqui presentes, há os que desistiram, há os que chegaram sem querer e ficaram.
Quando acaba a última aula todos nós nos despedimos, muitos dizem que odeiam os colegas de turma, eu ao menos não odeio, nós todos nos gostamos por aqui.
Depois de despedidas e risos e promessas de nós encontramos depois.
Saio da faculdade com um sorriso no rosto, caminho até o carro no estacionamento, hoje tive que vir sozinha, Heitor teve que resolver coisas até tarde no seu trabalho e não conseguiu vir me buscar.
Fico triste, amo ser dependente do meu noivo, estar com ele o tanto que puder.
Ligo o carro e saio do estacionamento, vou dirigindo devagar e olhando tudo ao redor, passo de frente a confeitaria da minha mãe e resolvo descer, pegarei alguns doces pra comer amanhã.
Estou controlando minha alimentação, mas vez ou outra dou uma escapada pra comer algumas besteirinhas.
Paro na frente e desço cumprimentando os funcionários do local, mamãe não está aqui, ela vem vez ou outra, seus funcionários que tomam conta do local.
- Luna que bom te ver - uma garçonete fala.
- Bom ver você também - falo com um sorriso - Tem algumas guloseimas para mim?
- Com certeza, vou pegar, só um instante - diz solicita e sai, me encosto no balcão e espero.
- Aqui está - diz me entregando a caixa - Deixa só eu fazer o controle e te entregar.
Espero ela fazer uma notinha e me entrega, agradeço e saio do estabelecimento.
Entro no carro e volto a dirigir em direção ao meu apartamento, abro a caixa que deixei no banco e como um donut, solto um gemido feliz pelo gosto.
Olho o sabor e franzo o cenho ao perceber que é de Nutella, não sou muito fã, mas está uma delícia.
Na verdade todas as receitas da minha mãe são deliciosas, então não é de se estranhar eu amar.
Ao chegar em casa estaciono o carro e entro no elevador, quando chego no corredor abro a porta e entro em casa sentindo cheirinho bom de limpeza, hoje a mulher que faz faxina na semana veio limpar. Suspiro percebendo que Heitor não está em casa e faço um biquinho.
Entro no quarto, retiro minha roupa e tomo um banho, visto um vestido folgadinho e me deito na cama, pego o celular e entro na rede social vendo alguns vídeos, suspiro vendo vídeos de algumas mulheres grávidas.
Coloco a mão na minha barriga e suspiro querendo que chegue logo, odeio o fato dessa idéia me fazer assim, ansiosa, a espera.
Mas tenho fé que vai dar certo e logo estarei esperando um filho no meu ventre.
•••
Os dias passam lentos, mas o coração vai acelerando cada vez que sinto um leve enjoo pela manhã, ou quando percebo meu corpo diferente, mais sensível, mais... cheio de esperança. Tento não me empolgar demais, não quero criar ilusões, mas tem algo em mim que sussurra baixinho: é agora.
Comprei um teste de farmácia e deixei guardado na gaveta do banheiro. Esperei mais alguns dias, tentando manter a calma, até que numa manhã de sábado, sozinha em casa, acordei mais cedo que o habitual com o coração disparado. Era como se meu corpo tivesse certeza.
Levantei com cuidado, fui até o banheiro e fechei a porta atrás de mim. Me olhei no espelho, respirei fundo e segurei o teste com as mãos tremendo. Fiz o que precisava e esperei. Aqueles dois minutos foram os mais longos da minha vida. Sentei na borda da banheira, tentando me convencer que era só um exame, que tudo bem se fosse negativo.
Mas quando levanto o teste e vejo as duas linhas bem definidas... meus olhos enchem d’água. Estou grávida. Meu coração se enche de um amor silencioso, quase sagrado. Levo as mãos à boca, engasgo num choro manso, leve, feliz.
Fico ali alguns minutos, apenas sentindo, abraçando esse instante tão esperado. Depois me levanto, ainda meio atordoada pela emoção, e decido que vou contar a Heitor do jeito mais doce possível. Ele merece algo especial.
•••
Passo o resto do dia preparando a surpresa. Comprei uma caixinha pequena, forrei com papel seda e coloquei dentro o teste já limpo, junto com um sapatinho branco de crochê que vi numa loja de bebê semanas atrás — eu tinha esperança, mesmo sem querer admitir.
Escrevo um bilhete: “Nosso sonho começou a bater aqui dentro. Agora somos três.”
Heitor chega no fim da tarde, cansado, mas com aquele sorriso que sempre me dá. Ele me beija, tira os sapatos e diz:
- Que cheiro bom, você cozinhou?
- Fiz lasanha — digo, tentando disfarçar o nervosismo — Mas tem uma coisa mais importante antes...
- Mais importante que lasanha? — ele brinca.
Sorrio e entrego a caixinha. Ele estranha, mas pega com cuidado.
- O que é isso?
- Abre.
Ele tira a tampa devagar. Quando vê o sapatinho, franze o cenho. Quando vê o teste, seus olhos se arregalam. Pega o bilhete, lê em silêncio. Depois olha pra mim, completamente mudo por alguns segundos.
- Você tá... grávida?
Assinto, já com os olhos marejados de novo. Ele me encara como se fosse a primeira vez que me visse, depois ri, chora, me abraça tão apertado que sinto o coração dele batendo contra o meu.
- A gente vai ter um filho... — ele repete, como se estivesse testando a realidade — Meu Deus, Luna... eu te amo tanto.
- Eu também o amo tanto Heitor, eu estou tão feliz que terei um filho com você, não faz ideia do quanto tempo amo agora e amo a nós dois - falo empolgada.
Ele abaixa e me beija na barriga, vejo ele sorrir pra mim e seus olhos brilham de felicidade.
- Precisamos marcar o médico, você precisa ver tudo que é necessário para uma gravidez tranquila - diz e é engraçado seu jeito preocupado.
- Não precisa pedir dias vezes meu amor, eu já marquei enquanto esperava você chegar, não sabe o quanto eu serei uma mãe coruja para esse bebê - falo sorrindo, coloco minhas mãos sobre a barriga e eles as suas sobre as minhas em modo protetivo.
Sorrio feliz, eu terei um filho com Heitor o homem que eu amo.