It was an addiction...

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••••• Hyunjin •••••

Ele ainda sonha comigo.

Mesmo quando tenta me odiar, mesmo quando o corpo dele treme como se quisesse fugir... no fundo, ele me espera.

Eu vejo isso no jeito como os olhos dele me procuram quando abro a porta. No silêncio carregado, na respiração presa quando me aproximo. Ele pode negar com a boca. Mas o corpo... o corpo dele grita por mim.

E eu ouço.

Sempre ouvi.

Desde o primeiro dia em que o trouxe pra cá, Felix me olhava como se fosse um animal selvagem prestes a morder. Mas eu sabia. Bastava tempo. Bastava toque. Bastava eu.

Porque ele foi feito pra mim.

Ele só não sabe disso ainda.

Fiquei observando enquanto ele dormia, o cobertor mal cobrindo metade do peito, os cabelos desalinhados, os lábios entreabertos. A marca que deixei no pescoço dele ainda estava ali - roxa, possessiva. Uma lembrança de quem manda nesse jogo.

Eu me aproximei sem fazer barulho, só pra sentir de novo o cheiro dele. Aquela mistura de sabão e suor leve. Real. Vivo. Meu.

Toquei seu cabelo com a ponta dos dedos, devagar.

- Você fica tão bonito quando tá fraco - murmurei, sem esperar que ele ouvisse. - Quando abaixa a guarda... quando me deixa entrar.

Por que ele me fascina tanto?

Não é só o rosto. Nem só o corpo. É o que ele representa: um desafio. Um vício. Um espelho distorcido onde eu vejo tudo que é feio em mim... mas também tudo que eu quero possuir.

Felix me faz sentir humano. Mesmo quando ajo como um monstro.

Levei o chá pra ele antes de levar o café da manhã, como um gesto qualquer, mas no fundo, era parte do meu jogo. Dar. Cuidar. Controlar. Você não precisa acorrentar alguém quando ele escolhe se prender a você.

E ele tá começando a escolher.

Mesmo que ele ainda tente resistir, eu já vejo as rachaduras. A forma como os olhos dele brilham quando digo que é meu. A maneira como geme o meu nome como se fosse a única verdade que resta no meio do caos que criei.

Mas tem algo em mim que... incomoda.

Não era pra doer quando ele se encolhe. Não era pra doer quando ele diz que me odeia. Mas dói.

Porque por mais que eu diga que tenho tudo sob controle, a verdade é:

Eu também tô preso.

Preso ao jeito dele me olhar. À primeira vez que chorou e gritou meu nome, não de medo... mas de desejo. Preso ao som da voz dele sussurrando que tá confuso. Que não sabe mais o que sente. Que talvez sinta tudo.

E se ele me deixar?

Se ele acordar um dia e me olhar com nojo, repulsa verdadeira?

Talvez eu o machuque de novo. Talvez eu me machuque também. Talvez eu queime tudo e recomece do zero.

Ou talvez... eu apenas aperte mais forte até ele esquecer como era respirar sem mim.

Me sentei ao lado dele, observando enquanto ele fingia dormir de novo. Fingir era a nova linguagem dele. Mas eu sabia.

Me inclinei devagar, os lábios quase tocando sua orelha.

- Você pode fugir daqui mil vezes, Felix... mas já tá preso onde importa.

Toquei o peito dele, bem onde o coração batia acelerado.

- Aqui dentro.

E sorri.

Porque o que ele chama de prisão, eu chamo de lar.

E eu nunca vou deixá-lo sair...

Eu apenas me retiro do quarto para fazer o café da manhã dele, mas eu logo retornaria...

••••• Felix •••••

Quando acordei, ou melhor, fingi que acordei... não sabia se havia passado uma hora ou uma eternidade. A escuridão ainda reinava, mas agora havia um silêncio diferente - não mais sufocante, e sim pesado, como se o próprio ar carregasse o peso do que tínhamos feito.

Hyunjin não estava mais deitado ao meu lado.

O calor dele ainda impregnava os lençóis, o cheiro dele ainda colava na minha pele como uma tatuagem invisível. Mas ele tinha sumido, como sempre fazia. Como se nunca tivesse estado ali.

E mesmo assim, eu sentia ele em cada parte de mim.

Sentei devagar, o corpo ainda dolorido, marcado. Cada toque deixado por ele era uma lembrança viva - beijos como brasas, mordidas como selos. Levei a mão ao pescoço, onde sua boca havia sussurrado promessas e possessões. Minha pele queimava.

O pior?

Eu queria mais.

Esse era o meu inferno particular: quanto mais ele me destruía, mais eu me reconstruía em torno dele. Era como se Hyunjin tivesse arrancado pedaços de mim e substituído por algo que só ele controlava. Um comando que vinha do toque. Do olhar. Da voz.

Me arrastei até a porta. Trancada. Claro.

"Você não precisa sair, Felix", ele diria. "Tudo o que você quer está aqui dentro."

E o mais insano é que uma parte de mim começava a acreditar nisso.

Tive um momento de lucidez. Levei as mãos à cabeça, pressionando as têmporas. "Acorda, idiota! Ele te sequestrou, ele te usa!" Mas a outra parte - a que sentia falta do toque dele mesmo no silêncio - só repetia: ele voltou por você... ele sempre volta por você.

A maçaneta girou de novo.

Meu corpo reagiu antes da minha mente. Voltei correndo para a cama, me enrolei no cobertor, tentei parecer inabalado - uma tentativa patética de manter um controle que eu já tinha perdido desde o primeiro toque dele.

Hyunjin entrou sem pressa, como se soubesse que tudo ali já era dele. Carregava uma bandeja com uma xícara de chá fumegante e um pequeno prato com bolachas. Seu olhar me prendeu antes mesmo que ele falasse qualquer coisa.

- Achei que merecia um pouco de cuidado... - disse com aquela voz baixa que fazia meu estômago se contorcer. - Você foi tão obediente ontem à noite.

Meu rosto queimou, mas não consegui desviar os olhos.

- Eu não fiz aquilo por você - menti, a voz mais baixa que eu queria.

Hyunjin apenas sorriu, aquele sorriso de quem sabe exatamente quando você está tentando se enganar.

- Claro que não. Foi por você mesmo, né? - Ele se sentou na beira da cama, repousando a bandeja ao lado. - Porque você queria. Porque sentiu falta. Porque sentiu... minha falta.

Engoli seco. A verdade doía mais do que as mentiras.

- Você tá me deixando louco... - sussurrei. - Eu me odeio por isso.

Hyunjin se inclinou, os dedos segurando meu queixo com delicadeza fingida. Seus olhos ardiam como brasas prestes a consumir tudo.

- Então se odeie. Me odeie. Mas não tente fugir do que somos. - Ele passou o polegar nos meus lábios, lento, me fazendo tremer inteiro. - Você é meu. E quanto mais nega isso, mais eu gravo meu nome dentro de você.

Ele me beijou. Sem pressa, sem piedade.

E eu deixei.

Porque por mais que minha mente gritasse "corra", meu corpo já tinha se ajoelhado aos pés dele.

E ali, naquela prisão feita de lençóis, promessas distorcidas e beijos quentes, eu comecei a entender: isso não era amor. Era vício. E eu já estava irremediavelmente viciado nele.

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💕💕💕💕OIIIII💕💕💕

escrevi ouvindo One Of The Girls🙂‍↕️

demorou mas chegou, é que fui escrevendo aos poucos🙌🏻🙌🏻🙌🏻

✨✨✨Tchauuu✨✨✨✨

Venenos e Segredos- HyunlixOnde histórias criam vida. Descubra agora