Did I still want to run away?

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A noite caiu como uma cortina de veludo, mas o quarto permaneceu frio, iluminado apenas pela fraca luz de uma lâmpada pendurada no teto. O silêncio parecia me envolver, pesado, como uma segunda pele. Eu fiquei sentado na cama por um tempo, olhando para a porta fechada, tentando entender o que havia acabado de acontecer. O agradecimento que escapou dos meus lábios soava estranho até para mim.

Por que eu disse aquilo? Por que parecia tão importante agradá-lo, mesmo que minimamente?

Minhas mãos tremiam levemente enquanto eu as apertava contra os lençóis ásperos. Era insano, completamente ilógico. Hyunjin me sequestrou, me manteve prisioneiro, arrancou minha liberdade com um sorriso doentio nos lábios. E, no entanto, algo nele ainda me prendia. Não era apenas a força física, mas algo mais profundo. Uma conexão, talvez, ou um resquício daquela pessoa que eu amei uma vez.

Fechei os olhos, tentando apagar a lembrança de sua voz, seu olhar intenso, seu toque que oscilava entre cuidado e crueldade. Mas não conseguia. Ele estava gravado na minha mente como uma cicatriz.

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Na manhã seguinte, a porta se abriu novamente, desta vez sem o som metálico da chave girando. Hyunjin entrou com um ar de despreocupação calculada, mas eu notei o leve movimento dos olhos, como se ele estivesse me estudando. Ele carregava outra bandeja, e novamente, a comida estava impecavelmente preparada.

- Comece o dia direito - ele disse, colocando a bandeja na mesa. Seus dedos roçaram de leve a superfície de madeira, e o som era quase reconfortante, como se ele estivesse tentando suavizar sua presença.

Eu peguei o garfo sem hesitar desta vez. Era como se minha mente estivesse sendo treinada, moldada. Cada ato de obediência parecia arrancar um pedaço da resistência que eu tinha dentro de mim. Mas algo mais surgiu naquele momento. Uma ideia. Uma estratégia.

- Obrigado - eu disse novamente, a palavra saindo mais fácil desta vez. Hyunjin parou no meio do movimento, seu olhar fixo em mim. Ele parecia surpreso, mas rapidamente mascarou isso com um sorriso que não chegou aos olhos.

Vejo que está aprendendo - ele murmurou, recostando-se contra a parede, os braços cruzados. Seus olhos não saíam de mim enquanto eu comia, como se estivesse estudando cada movimento meu, cada reação.

Houve algo estranho naquele silêncio. Era quase confortável, como se estivéssemos recriando um momento perdido do nosso passado, quando as coisas eram normais. Mas nada sobre essa situação era normal.

Hyunjin... - chamei, minha voz mais controlada agora. Ele ergueu uma sobrancelha, como se não esperasse que eu falasse primeiro. - Eu não gosto de ficar nesse quarto...

Ele piscou, claramente pego de surpresa pela pergunta. Então, seu sorriso voltou, mas havia algo mais sombrio nele agora.

Não tem que gostar, não é como se você tivesse muita escolha - ele respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. - Você tem que entender que desde que eu te vi naquela sala de aula na nossa antiga faculdade eu me apaixonei por você, eu me tornei dono da sua vida, você não tem mais posse sobre sua própria vida, amor.

Venenos e Segredos- HyunlixHistórias para pegar e não largar. Descubra agora