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Narrado por Afrodite

Eu senti.

Não vi olhos. Não ouvi passos. Mas eu senti.

Aquela presença… não era só ameaça. Era atenção. Era como o silêncio antes de um trovão, quando tudo parece calmo demais pra ser real. Minha pele arrepiou quando toquei o pingente.

O osso estava frio, mas carregava um calor estranho, antigo. Como se mil mãos o tivessem tocado antes de mim. Um coração partido pela metade. Uma linha reta cortando tudo no meio.

Dividido.

Como eu.

Voltei pro módulo em silêncio, mas o símbolo ficou comigo. Na mente. No peito. Como uma pergunta desenhada a faca.

Eu deitei ao lado de Jasper, sem dormir. Só ouvindo.

As folhas lá fora se mexiam de um jeito que não era só o vento. Era como se alguém andasse entre elas com cuidado demais. Quem quer ferir, pisa forte. Quem quer ser ouvido, não tenta se esconder.

Mas quem observa… pisa leve.

Minha cabeça pesava como pedra. Não sei se era sono ou o medo acumulado em dias. Eu não sou feita pra guerra. Nunca fui. Só que aqui, nesse lugar, até a paz parece um campo minado. Uma coisa pequena pode te salvar… ou te destruir.

Eu fechei os olhos por um segundo.
E sonhei com ela.

Não sei por quê, nem como. Mas vi um par de olhos verdes entre as árvores. Pintados como sombra. Firmes como aço. E ainda assim… tristes.
Ela me olhava como se me conhecesse. Como se, de algum jeito, estivéssemos no mesmo lado da linha.

𝙩𝙝𝙚 𝙚𝙣𝙙 𝙤𝙛 𝙩𝙝𝙚 𝟭𝟬𝟬|𝙡𝙚𝙭𝙖 𝙠𝙤𝙢 𝙩𝙧𝙞𝙠𝙧𝙪Onde histórias criam vida. Descubra agora