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Narrado por Lexa

Ela voltou.

Não com escolta, não armada, não com arrogância.
Veio sozinha. Com os ombros expostos e o olhar firme.

Isso é mais perigoso do que qualquer arma.

Eu a vi se aproximar da árvore onde deixei o pingente. Tocou o tronco como se tocasse algo sagrado. Como se sentisse o rastro da minha presença ali — e talvez… sentisse mesmo.

Ela falou de novo.

A voz dela… tem rachaduras. Não é uma voz de quem comanda com frieza. Mas também não é fraca. É feita de dor transformada em coragem.

“Eu não sei o que você quer. Mas tô tentando entender.”

Tentar entender é um risco.
Significa abrir espaço pra dúvida.
E dúvida... já matou reis.

Indra me observaria agora e veria fraqueza. Um erro.
Mas o que ela não vê — o que ninguém vê — é o que acontece quando alguém escolhe não fugir.

Afrodite não correu.
Não se escondeu atrás dos outros.
Ela caminhou até o coração da floresta e disse: “Eu tenho perguntas.”

Isso exige mais força do que qualquer espada.

Eu quis responder.
Por um instante, minha mão tocou a alça do meu manto. Quase fui até ela. Quase quebrei a regra que carrego desde a infância: não se aproxima, não se apega.

Mas não fui.
Porque ainda não é hora.
Porque ela ainda não está pronta.
Porque talvez… eu ainda não esteja.

Ela voltou pro acampamento com passos lentos, mas cabeça erguida.

Carrega medo nos olhos, sim.
Mas também esperança.

E esperança... é a semente da revolução.

Eu me afastei por fim, pisando leve, sem quebrar galhos, sem deixar sinal.
Mas no fundo, deixei algo pra trás.

Vontade.

Vontade de vê-la de novo.
De responder.
De dizer: eu também tenho perguntas.

Mas por enquanto, deixo que o silêncio fale por mim.

Ainda assim...
Eu sei que ela vai voltar.

𝙩𝙝𝙚 𝙚𝙣𝙙 𝙤𝙛 𝙩𝙝𝙚 𝟭𝟬𝟬|𝙡𝙚𝙭𝙖 𝙠𝙤𝙢 𝙩𝙧𝙞𝙠𝙧𝙪Onde histórias criam vida. Descubra agora