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Narrado por Afrodite

As discussões começaram cedo.

Monty estava irritado por causa da comida. Bellamy acusava alguém de ter deixado a cerca desativada. Octávia jogou alguma coisa contra a parede. Eu… não falei nada.

Só observei.

É o que eu mais faço ultimamente. Observar. Sentir. Fingir que entendo o que está acontecendo, quando na verdade, cada dia parece mais como andar em um lago congelado que estala sob os pés. A qualquer momento, tudo pode afundar.

Mas o que ninguém sabia…
É que eu ainda pensava nela.

Na sombra entre as árvores. No par de olhos verdes que vi — ou imaginei. No pingente que agora carrego pendurado no pescoço, escondido sob a blusa. Aquilo devia ser só um símbolo. Uma mensagem. Mas está virando outra coisa.

Uma ligação.

Depois da briga, fui buscar água. Disse que precisava esfriar a cabeça. Era verdade. Mas também era desculpa.

Andei até o limite do nosso território, perto das árvores.
Meus pés sabiam o caminho.

Ali, onde a luz quase não chega e o ar tem cheiro de terra molhada e risco, eu parei. E falei de novo, mesmo achando que era loucura:

— Eu sei que você está aí.

Nada. Nenhum movimento.

Mas eu senti.
Como a gente sente quando alguém nos olha pelas costas.

Me aproximei da árvore onde o pingente tinha sido deixado. Passei os dedos devagar pelo tronco, como se algo ali ainda carregasse a presença dela.

— Eu não sei o que você quer — sussurrei. — Mas... eu tô tentando entender.

Minha voz falhou. Não porque eu estava com medo. Mas porque, pela primeira vez em dias, eu estava sendo honesta. Comigo mesma.

— Se você quisesse nos matar… já teria feito. Então por quê?

As folhas farfalharam. O tipo de som que o vento faz quando quer parecer natural. Mas não era só vento.

Ela estava lá.

Eu não a vi.
Mas o mundo ao redor mudou por um segundo. Como se tudo tivesse prendido a respiração.

— Eu não tenho armas — falei, erguendo as mãos, mesmo sabendo que talvez estivesse falando com o escuro.

— Mas tenho perguntas.

Esperei.

O silêncio não respondeu. Mas também não me afastou.

E às vezes... é o bastante.

Voltei devagar para o acampamento. Com o coração batendo mais rápido do que eu gostaria de admitir. Com a certeza de que alguém me ouviu. De que ela ouviu.

E pela primeira vez… desejei que ela falasse de volta.

🤍 estão gostando??

𝙩𝙝𝙚 𝙚𝙣𝙙 𝙤𝙛 𝙩𝙝𝙚 𝟭𝟬𝟬|𝙡𝙚𝙭𝙖 𝙠𝙤𝙢 𝙩𝙧𝙞𝙠𝙧𝙪Onde histórias criam vida. Descubra agora