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Narrado por Afrodite

Eu voltei.

Talvez devesse parar com isso. Talvez já esteja cruzando uma linha invisível — da curiosidade pra loucura, da cautela pra entrega.

Mas eu voltei.

Dessa vez, com o pingente nas mãos.

Fiquei ali, entre as árvores, mais fundo do que devia. O acampamento mal podia ser ouvido atrás de mim. Um passo em falso e eu estaria sozinha demais. Mas, de alguma forma, era aqui que eu me sentia mais lúcida.

Porque, nesse lugar, tudo é verdade.
O vento não mente.
As sombras não fingem.
E ela... ela me escuta. Mesmo sem dizer uma palavra.

— Eu tô tentando entender o que isso significa — murmurei, fechando os dedos sobre o pingente. — Isso aqui. Essa coisa entre a gente. Esse... espaço cheio de silêncio.

O som de um galho se partindo ao longe fez meu corpo inteiro congelar.

Não por medo.

Por expectativa.

Porque, mais do que tudo, eu queria que fosse ela.

Eu não sei o nome dela. Não sei o rosto dela por inteiro. Mas sei o que ela me provoca. A presença dela acende alguma coisa em mim que eu não sei se quero apagar.

É como se eu estivesse esperando por ela antes mesmo de saber que ela existia.

Me sentei perto da raiz de uma árvore larga. O solo estava frio, úmido, real.
Precisei disso. De algo que me lembrasse que ainda estou aqui. Que ainda sou... eu.

— No meu mundo, quem cala é inimigo. Mas você… cala diferente. Você cala como quem carrega uma dor que ainda não sabe como colocar em palavras.

Meus olhos ardiam, mas segurei. Não era hora de quebrar.

— Se você me ouvir de novo… se quiser que eu pare, só diga. Me mostre. Eu juro que entendo.

Um silêncio pesado caiu.
Mas não era vazio.
Era… atento.

Como se alguém estivesse decidindo, naquele exato momento, se podia me confiar um pedaço da própria alma.

E isso…
Isso era mais do que eu esperava.

Me levantei com calma. Deixei o pingente pendurado de volta no galho, como um eco da nossa primeira troca.

Um som leve atrás de mim.

Virei. O coração disparou.

Nada.

Só as folhas dançando.
Mas eu juro... por um segundo, senti o ar mudar.
Como se alguém tivesse estado ali — a um passo.

Talvez... o começo de um som.

Talvez… o começo de uma resposta.

𝙩𝙝𝙚 𝙚𝙣𝙙 𝙤𝙛 𝙩𝙝𝙚 𝟭𝟬𝟬|𝙡𝙚𝙭𝙖 𝙠𝙤𝙢 𝙩𝙧𝙞𝙠𝙧𝙪Onde histórias criam vida. Descubra agora