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Narrado por Lexa

Ela voltou de novo.

Mesmo depois de nenhum sinal, nenhuma resposta.
Mesmo quando qualquer um, no lugar dela, teria desistido.

Ela voltou.

E com ela, trouxe perguntas. Verdades ditas com hesitação, mas sem medo. Ela não me conhece - não sabe quem sou, o que fiz, do que sou feita. Mas ainda assim... fala comigo como se eu fosse humana.

Como se eu pudesse ser.

Ela se sentou na raiz da árvore onde deixei o pingente. Tocou o chão como se estivesse pedindo permissão à terra. Falou de silêncio. Do meu silêncio. E, sem saber, ela entendeu.

Ela viu o que tantos escolheram ignorar.

Minhas mãos estavam fechadas em punhos ao ouvir cada palavra. Não de raiva - mas de contenção. Cada sílaba dela era uma brecha. Um golpe lento e preciso contra as muralhas que levei anos construindo.

Ela deixou o pingente de volta.
Como se dissesse: "a decisão é sua."

E por um segundo - só um segundo - eu quase fui até ela.

Minha perna se moveu, meu corpo cedeu um centímetro, como se a floresta me empurrasse. Mas me forcei a parar.
Porque isso... não é só sobre ela.
É sobre o que nós duas representamos.

Ela pertence a um povo que teme os meus.
E eu carrego nas mãos o sangue de centenas que ousaram confiar.

Mas quando ela se virou, olhos vasculhando o escuro, como se soubesse que eu estava ali...

Meu coração traiu minha razão.

Ela não me viu. Mas me sentiu.
E isso... ninguém jamais fez antes.

Por muito tempo, acreditei que amor era fraqueza.
Que aproximação era armadilha.
Que emoção era brecha.

Mas agora... começo a questionar.

E quando uma comandante começa a questionar...
O mundo começa a mudar.

Afrodite voltou para o acampamento.
Mas deixou algo para trás.

A dúvida.
E com ela... a possibilidade.

Permaneci ali, sozinha, até o céu clarear.

Porque às vezes, o silêncio que permanece...
É só a pausa antes da resposta.

𝙩𝙝𝙚 𝙚𝙣𝙙 𝙤𝙛 𝙩𝙝𝙚 𝟭𝟬𝟬|𝙡𝙚𝙭𝙖 𝙠𝙤𝙢 𝙩𝙧𝙞𝙠𝙧𝙪Onde histórias criam vida. Descubra agora