Melancia

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Um par de olhos turquesa piscam sem parar enquanto a encaram de baixo. Ochako o encara de volta, lentamente soltando o braço do rapaz. E é só quando o Natsuo chama seu nome pelo que não deve ser a primeira vez, ela se dá conta do que acaba de fazer.

— Uraraka-chan, esse... esse é o meu irmão mais velho, Todoroki Touya.

— Você não é meio nova pra ser segurança? — o rapaz de cabelos brancos estirado no chão pergunta.

— Eu... ai meu Deus, mil desculpas! Você tá bem? Eu te machuquei? — ela se apressa em ajudá-lo a levantar, o rapaz parece ainda mais leve agora do que quando ela o jogou por cima do ombro e o imobilizou no chão.

Se fosse para tentar se justificar, e ela com certeza vai precisar, Ochako diria que foi por instinto. Ela viu o olhar um tanto assustado do Natsuo, e a forma como o outro rapaz se moveu na direção dele, e não pensou duas vezes, derrubou-o antes que ele tivesse a chance de tocá-lo. Ele não ofereceu nenhuma resistência, talvez até tenha caído com certa graciosidade, nem as meninas das categorias de menor peso do judô devem ser tão leves.

— Tô bem, tô bem. Não tô sentindo minhas pernas, mas fora isso, tô ótimo.

— O QUÊ? — ela pergunta, apavorada.

— Touya-nii... — o Natsuo suspira — É brincadeira, Uraraka-chan, de muito mau gosto, mas é só brincadeira.

— Por que não me dá uma examinada, Natsuo? Você tá estudando pra ser médico, não tá? — ele dá um sorrisinho quando se senta — Não vai ser cozinheiro, igual ao Enji?

— Nunca tive interesse nisso. E se você tá fazendo esse tipo de pergunta nesse tom, é porque tá bem o suficiente, nii-chan.

— "Bem" é uma palavra forte. — ele então olha para ela, medindo-a de cima a baixo — E a justiceira aí é quem? Sua namorada?

É automático, o rosto dela esquenta enquanto Ochako balança a cabeça negativamente.

— O nome dela é Uraraka Ochako. Ela trabalha aqui no restaurante como ajudante geral. — o Natsuo a apresenta formalmente, e Ochako se curva, o que parece meio ridículo com ele ainda sentado no chão.

— Entendi. Leva o lixo, lava a louça, e ataca qualquer um que ameace a preciosa linhagem do patrão. As exigências pra trabalhar aqui nunca foram tão altas.

— Eu... peço perdão novamente, Todoroki-san. Eu achei que... pensei que você fosse um... assaltante, ou... — ela se curva mais baixo — Sinto muito mesmo.

— Ha, não é pra mim que você tem que pedir desculpa, meu amor. — ela gela quando sente um par de dedos tocar seu queixo, forçando-o delicadamente para cima. Seu olhar encontra o dele, frio e distante mesmo com sua proximidade — É pro meu pai. Será que ele vai achar bonito uma funcionária agredindo o filho dele assim tão gratuitamente? É eu abrir minha boca e você roda, lindinha.

— Touya-nii... — o tom do Natsuo volta a ser cauteloso. Ele parecia estar mais confortável um minuto atrás, até repreendeu o irmão mais velho. Mas agora seu tom volta a ter aquela camada de receio.

Ochako o encara. Mesmo que não o conheça, ela já sabe exatamente o que ele quer: que ela fique com medo, que trema e gagueje enquanto pede desculpas e implora pra que ele não diga nada. Ele quer se divertir com isso, e, por mais que não saiba nada sobre ele, ela não quer dar essa satisfação a ele, então só o encara de cima com o mínimo de expressão possível pelo máximo de tempo que consegue.

E quando sente que vai acabar cedendo pela pressão desses olhos turquesa, ela é pega de surpresa. O rapaz começa a rir, abaixando a cabeça e balançando-a levemente. A risada dele... não soa como a de um jovem, é... suja, até meio desagradável.

por enquantoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora