No alvo

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— Que merda.

— É, eu sei. — Shouto resmunga, entrando em posição novamente. Ele respira fundo por um breve segundo e ajusta sua mira, puxando a corda do arco com destreza.

Shouto atira. A flecha para no segundo arco mais distante do alvo.

— Caralho, Meio a Meio. Tá me fazendo perder tempo em assistir essa merda!

Shouto não está em um bom dia, o que já não é novidade, pois nenhum dos últimos dias tem sido bom. Sua concentração anda péssima, o que prejudica seus treinos de arquearia, e o que era para ser algo que o relaxa acaba por deixá-lo ainda mais pilhado.

Também não ajuda que a única pessoa a quem ele recorre quando se encontra em uma má fase na arquearia é alguém que é incapaz de oferecer qualquer observação que agregue em algo.

Shouto conhece o Bakugou há anos, o loiro chegou a praticar arquearia por alguns anos durante o Fundamental, e foi assim que eles se conheceram. O Bakugou tinha enorme potencial, mas também pouquíssima disposição para uma prática que exige uma considerável dose de silêncio, não demorou até que ele tenha trocado para kendo, no qual o Bakugou realmente se destaca.

De toda forma, Shouto sempre o respeitou como um rival arqueiro e valoriza a opinião do amigo, então achou que seria uma boa ideia mandar mensagem para ele e pedir que o acompanhasse em um de seus treinos, talvez enxergar o que anda fazendo Shouto ir tão mal. A primeira rodada do torneio regional é nesse fim de semana, e do jeito que as coisas vão, ele não vai se classificar.

Mas o Bakugou aparentemente não tem muito o que apontar além de sua performance estar uma merda. Algo que o próprio Shouto já havia percebido por si só.

— Não sei o que tô fazendo de errado se faço o que sempre fiz.

— Você tá pondo mais tensão no indicador.

— Não tô.

— Tá sim, deu pra ver daqui de longe.

— Então você sabe que tá longe demais pra poder analisar qualquer coisa.

— Hã? Não, tô te falando que você tá fazendo uma merda tão grande que dá pra ver mesmo de longe, seu otário!

Shouto suspira e pega outra flecha e se posiciona novamente, atirando e mais uma vez errando.

— Não consigo perceber diferença na pressão dos meus dedos.

— Claro que não, porque você tá fazendo sem pensar. Você tá todo travado, Meio a Meio. Qual foi?

Shouto solta o ar devagar pelo nariz.

— Já falei que não sei.

— Mentira.

— Não é.

— É sim. Você sempre sabe. — Bakugou se inclina um pouco pra frente — Quando você não sabe, é porque não quer saber.

Shouto não responde de imediato. Ele encaixa outra flecha, ajusta a postura, tenta ignorar o peso incômodo no peito.

Atira.

Erra de novo.

— Tá vendo? — Bakugou aponta pro alvo como se fosse uma prova irrefutável — Isso não é técnica. Isso é cabeça.

— Não tem nada errado comigo.

— Claro que tem. Você tá parecendo um desses idiotas que ficam remoendo coisa em silêncio achando que ninguém percebe.

— Eu não tô remoendo nada.

— Você tá fazendo força demais onde não precisa, e relaxando onde não pode — Bakugou estala a língua. — Isso não é dedo, é controle. E você só perde controle quando tá distraído.

por enquantoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora