o plano se cumpriu...

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POV AUTORA
O portão da creche rangeu baixinho ao se fechar, mas o estrondo que soou dentro de Maraísa foi ensurdecedor.
Ela virou o rosto no exato momento em que viu o vulto, o boné abaixado, e a mochila cor-de-rosa de Isabela sendo puxada com força.

Isa— ISABELA! — o grito saiu antes do pensamento.

O corpo agiu antes da mente. Correu. Correu como mãe. Correu como uma verdadeira leoa.
O homem virou rápido, encapuzado, e empurrou a menina com raiva para dentro do carro. Mas não contava com o segurança da escola.
Com a correria, a comoção, a polícia foi chamada. O sequestro da menina foi impedido. Mas ele fugiu.

O que ninguém sabia — ainda — é que o plano não tinha acabado ali.

O ataque veio quando ela mais confiava na rotina.
Era terça, 7h25. Maraísa havia deixado Isabela na porta da escola, como fazia todas as manhãs. A menina entrou sorrindo, e ela virou-se para ir embora. O carro estacionado do outro lado da rua não chamou sua atenção.

Não até a porta se abrir.
Não até sentir o pano úmido pressionado com força contra seu rosto.

Ela tentou lutar. Tentou gritar. Mas a consciência apagou antes que qualquer som saísse.

Acordou com gosto de sangue na boca e os pulsos presos por tiras de nylon amarradas à estrutura de uma cama velha.

Chão de cimento. Umidade. Nenhuma janela. Só uma lâmpada pendurada e fraca, que oscilava no teto, projetando sombras como vultos ao redor dela.

E então, a voz.

Wendel— Achei que fosse mais difícil. Mas você continua previsível, Maraísa.

Wendel.
O homem que ela conheceu aos 22. Que era gentil até o primeiro grito. Carinhoso até o primeiro tapa. Pai da filha dela.
Monstro que agora a encarava com olhos vazios.

Wendel— Não consegui levar a Isabela por sua culpa. Então agora você vai pagar. Em silêncio.

Três dias sem ver a luz do sol.
Três dias entre humilhações, empurrões, insultos.
Ele nunca tocava nas partes que deixavam marcas visíveis. Conhecia o corpo dela. Sabia onde doía mais. Não queria matá-la. Queria quebrá-la.

Isa— Ela vai vir, sabe? — murmurou com os lábios partidos, mesmo sem saber que dia era.

Wendel— Quem? — ele debochou.

Isa— A Marília. Ela sempre me encontra.

Ele riu, mas pela primeira vez, desviou o olhar.

A delegada Marília Dias já estava sem dormir havia 40 horas.
Não era só o caso. Era ela. Era a mulher dela.

Encontraram o carro de Maraísa abandonado perto de um posto desativado. Sem digitais. Sem imagens. Nenhuma pista.
Mas algo não batia. Wendel não era impulsivo. Era metódico. Covarde, mas esperto.

E então ela lembrou. Uma propriedade rural, da tia-avó dele, onde Wendel passou parte da infância. Vendida? Não. Ainda no nome da mulher. Localização: km 38 da estrada estadual, cercada por mata alta.

Ela não avisou ninguém.

A arma foi presa no coldre. O colete vestiu como segunda pele. A raiva silenciosa queimava por dentro. E o medo.
O medo de não chegar a tempo.

Quando a porta foi arrombada com um chute, o som ecoou como trovão.
Wendel estava sentado, de costas, com uma faca nas mãos.
Marília apontou a arma antes que ele sequer virasse.

Lila— Levanta devagar.

Ele riu, ainda de costas.

Wendel— Você não entende. A culpa é dela. Sempre foi. Ela me apagou da vida dela como se eu não fosse nada...

Lila— Levanta. Agora.

Mas foi o som — fraco, engasgado — que quebrou Marília por dentro:

Isa— Mari...

Ela entrou com tudo, passou por Wendel, e se ajoelhou ao lado da mulher amarrada na cama.

Lila— Eu tô aqui, amor. Eu tô aqui.

As mãos tremiam ao cortar as tiras. O corpo de Maraísa desabou nos braços dela, magro, frio, sujo. Mas vivo.

Wendel tentou fugir. Dois tiros de advertência bastaram. Ele caiu no chão, algemado, gritando que era a vítima.

Mas ninguém mais ouvia ele.

Maraísa foi levada de ambulância, inconsciente.
Antes de entrar, os olhos dela abriram, vagos, como se buscassem algo no ar.

Marília segurou sua mão.

Lila— Te achei. Como eu disse que ia fazer.

E então, pela primeira vez em dias, Maraísa fechou os olhos em paz.

Os duas de sequestro não serão detalhados pois podem causar gatilho em alguém e quero evitar, e mais uma coisa, esse capítulo de hoje uma amiga minha quem me ajudou a escrever pois eu estava sem ideia do que escrever e ela me ajudou.

Espero que gostem, não sejam leitores fantasmas, curtam ☆>>★ e comentem.

Bjs até amanhã 🫶🏻

✿ 𝑻𝒐 𝒂𝒎𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒎𝒊𝒏𝒉𝒂 𝒂𝒎𝒊𝒈𝒂 ✿Onde histórias criam vida. Descubra agora