Pov Ludmilla
O palco sempre foi meu refúgio. Quando as luzes se acendem e a plateia grita meu nome, parece que nada mais importa. Mas, desde que Brunna entrou na minha vida, nada é tão simples. Ela não é só minha bailarina. Ela é o meu ponto fraco.
Não temos compromisso, mas meu ciúme me entrega. No fundo, eu queria que fosse diferente, só que tenho medo de assumir.
Era sexta-feira e eu tinha show no Rio mesmo, perto de casa. Era um espaço pequeno, então o palco também era menor e o público ficava bem pertinho. Eu estava cantando Morrer de Viver e a coreografia era bem sensual. Quando eu vi um cara na primeira fila com a câmera do celular apontada só pra ela. Pra minha Bru. O filho da puta nem piscava, estava vidrado, como se o mundo todo tivesse parado. O pior é que a Brunna continuava dançando como se nada tivesse acontecendo. Meu peito queimou. Minha vontade era de tacar meu microfone na cara daquele imbecil.
Terminei o show puta da vida. Antes de entrar no camarim, passei do lado da Brunna de cara fechada e com o maior bico do mundo.
- Não fala comigo. - Falei e saí de perto dela, entrando no camarim e fechando a porta com força.
Pov Brunna
Eu não entendi nada. No meio do show a Lud começou a ficar diferente. Ela parecia estar puta com alguma coisa que eu não sabia o que era. Quando já estávamos no backstage, ela passou do meu lado, com a cara fechada, me pedindo pra não falar com ela e bateu a porta do camarim com força. Olhei pro Marcos, confusa, e ele também me olhou sem entender. Eu precisava saber o que eu tinha feito de errado.
- A van sai daqui 10 minutos, meninas! - O Marcos falou com o ballet. - Bru, pode ir chamar a Lud, por favor? Preciso resolver uma coisa antes. - Ele sabia que nós duas precisávamos conversar.
- Claro. - respondi, me preparando pra enfrentar a fera.
Fui em direção ao camarim e bati na porta, entrando devagar. Ela estava sentada em uma cadeira, batendo o pé no chão, nervosamente, e mexendo no celular. Ludmilla me olhou e voltou ao que estava fazendo, sem me dar importância.
- Lud, a van sai daqui 10 minutos.
- Ok. - ela respondeu, completamente seca.
- O que aconteceu? Você tá com raiva de mim, amor? - me aproximei, tirando o celular de suas mãos, obrigado-a a olhar pra mim.
- Que ódio de você, Brunna. Você viu aquele cara? Quem ele acha que é pra ficar te filmando daquele jeito? Ele tava vidrado no teu cú e você não fez nada. Parece até que tava gostando - ela disse, entredentes.
- Mas Lud, eu só tava dançando… Eu nem vi nada. Você sabe que eu danço olhando pro fundo, garota. Deixa de maluquice.
- Brunna, você não percebe? Ele te olhando daquele jeito! Como se… como se tivesse algum direito! Que ódio, porra. Eu odeio isso.
Seus olhos estavam marejados e eu me senti horrível. Mas nós não tínhamos nada sério e não tinha como eu evitar esse tipo de situação. Quando fui responder, o Marcos bateu na porta e entrou, avisando que a van só estava esperando a gente. Ludmilla se levantou rapidamente, pegou suas coisas e saiu sem me olhar.
- O que rolou? - Marcos perguntou.
- Ai Markito, ela tá com ciúmes de um cara que tava na frente do palco. E ainda tá me culpando por isso.
- Esse rolo de vocês duas... Não sei porque não assumem logo que estão juntas.
Não falei nada. Apenas o acompanhei até a van. Percebi Lud sentada no fundo, de capuz, óculos escuro e fone de ouvido. Ela não queria papo e eu ia respeitar esse momento. Me sentei ao lado de Júlia e fechei os olhos, apenas desejando minha cama. No caminho, fui pensando nessa situação. Não podíamos continuar assim. Estávamos nos machucando. Eu precisava conversar com ela pra decidir nosso futuro, porque desse jeito não dava mais.
