Pov Brunna
Eu sempre gostei de estar com a Lud. Desde o comecinho, quando ainda estávamos descobrindo o que sentíamos uma pela outra, parecia que cada minuto juntas era precioso demais, como se o tempo passasse mais rápido só pra me provocar.
Nessa noite não tinha show, não tinha palco, não tinha multidão. Era só eu e ela, deitadas na enorme cama de seu quarto na casa nova, com uma série passando. A cabeça dela estava no meu colo e meus dedos se perdiam em seus cabelos fazendo o cafuné que ela tanto amava. Percebi que ela já estava quase dormindo.
- Se eu pudesse, congelava esse momento. - ela murmurou, sem nem abrir os olhos.
Sorri, apertando os dedos no cabelo dela.
-A gente vai ter muitos momentos assim, amor.
Lud virou o rosto, me encarando com aquele olhar que me tirava do eixo.
- Mas eu não quero "muitos". Eu quero todos. Quero você aqui, dormindo comigo, acordando comigo… sempre.
Meu coração disparou, mas tentei manter a calma.
- Amor, não fica assim, vai. Cada coisa no seu tempo.
Ela bufou, manhosa, e fez um bico enorme.
- "Cada coisa no seu tempo" é papo de quem não sabe o quanto eu vou sofrer quando você sair daqui.
Ri, tentando quebrar o clima.
- Dramática.
- Não é drama, é saudade antecipada. - respondeu, se ajeitando no meu colo como se fosse um gato mimado. - Eu fico contando as horas até te ver de novo, e aí, quando você vai embora, parece que tudo fica sem graça.
Meu peito apertou porque era exatamente assim que eu também me sentia. Mas eu não podia dar o braço a torcer tão fácil. Passei a mão nos cabelos dela, baixando a voz.
- Eu também sinto isso, mô. Fico no Uber pensando em você, querendo voltar.
O jeito que ela me olhou nesse momento… parecia que meu coração não cabia mais dentro do peito.
- Então fica. Hoje, só mais hoje, Bubu - ela pediu, baixinho, já sabendo que eu não conseguiria dizer não. Ainda mais com ela fazendo voz de bebê.
Olhei pro celular em cima da mesa, lembrando da minha agenda no dia seguinte. Eu devia ir. Mas, sério, quem conseguiria negar qualquer coisa pra Ludmilla com aquela cara pidona?
- Tá bom, vai. Mas só mais hoje, amor. Amanhã eu preciso ir pra Nilópolis. A Mia já tá enchendo minha paciência falando que não tenho mais casa.
Ela abriu um sorriso enorme, igual criança quando ganha doce.
- Juro que vou me comportar. - Segurou meu rosto com as duas mãos. - Só quero dormir agarrada em você.
Deitei com ela, dividindo o mesmo travesseiro, ouvindo nossas risadas se misturarem aos cochichos. A madrugada passou voando e eu só pensava que, um dia, eu não precisaria mais ir embora.
O sol nasceu cedo, atravessando a cortina branca do quarto dela. Eu acordei primeiro. Fiquei alguns minutos só olhando pra Lud dormindo, a respiração calma, o rosto relaxado. Era impossível não sorrir diante daquela paz.
Meu celular vibrou na mesa de cabeceira. Suspirei e tentei me levantar devagar, mas ouvi a voz dela, rouca de sono.
- Aonde cê pensa que vai, hein?
Olhei pra trás e lá estava ela, abraçada no travesseiro, com os olhos semicerrados.
- Amor, preciso ir… tenho coisas pra resolver. - falei, tentando ser firme.
